Adamantina intensificou neste mês de agosto as ações da campanha Agosto Lilás, movimento nacional de conscientização pelo fim da violência contra as mulheres. A iniciativa reforça que a violência pode ser evitada, valoriza o papel da sociedade na prevenção e destaca os 19 anos da Lei Maria da Penha, reconhecida internacionalmente como uma das legislações mais avançadas no enfrentamento à violência de gênero.
Na cidade, diferentes instituições públicas e sociais promoveram atividades educativas, reflexivas e de mobilização. Entre elas, a Caminhada de Conscientização pelo Fim da Violência contra a Mulher, organizada pela subseção da OAB Adamantina (Ordem dos Advogados do Brasil), por meio da Comissão da Mulher Advogada.

O advogado Igor Bueno esteve presente na ação e destacou que o envolvimento dos homens é indispensável para que a mobilização alcance seus objetivos.
“Do ponto de vista jurídico, a participação masculina é fundamental para a efetividade da Lei Maria da Penha. O enfrentamento à violência não se resume a medidas punitivas, mas exige também ações educativas e culturais. Quando os homens se engajam como aliados, ajudam a desconstruir padrões históricos de dominação e fortalecem os princípios da dignidade humana e da igualdade de gênero”, afirmou.
Segundo Bueno, os ganhos sociais dessa participação também são significativos.
“A presença ativa dos homens rompe com a lógica do silêncio e da omissão, promovendo uma cultura de respeito, diálogo e corresponsabilidade. A violência de gênero é uma questão estrutural que envolve toda a sociedade”, destacou.

DESAFIOS E AVANÇOS NECESSÁRIOS
Apesar da crescente adesão, o advogado reconhece que ainda há desafios para ampliar a participação dos homens. “Muitos ainda acreditam que esse debate não lhes diz respeito, como se fosse um tema apenas das mulheres. Essa visão está ligada a estereótipos de masculinidade tóxica, que associam o engajamento à fragilidade ou à perda de status. Também existe o receio de exposição em um debate que evidencia privilégios históricos. Por isso, é preciso promover acolhimento e educação — sem conivência, mas também sem hostilidade”, analisou.
No campo legal, Bueno defende a criação de políticas públicas voltadas especificamente à reeducação e ao engajamento dos homens. “Não apenas para aqueles que já cometeram violência, mas também em programas preventivos nas escolas, comunidades e ambientes de trabalho. Além disso, é fundamental fortalecer os mecanismos de responsabilização de instituições que se omitirem diante da cultura do machismo”, explicou.
FORTALECIMENTO DA IGUALDADE DE GÊNERO
O advogado reforça que a inclusão efetiva dos homens no debate é estratégica para a consolidação dos direitos das mulheres.
“Quando os homens deixam de ser observadores ou perpetuadores da desigualdade e passam a atuar como agentes de transformação, contribuem para reduzir os índices de violência, fortalecer as redes de proteção e avançar na igualdade de gênero. Esse posicionamento também serve de exemplo para as novas gerações, favorecendo a construção de uma cultura mais equitativa desde a infância”, afirmou.
Ao encerrar, Igor Bueno resumiu o papel da mobilização coletiva: “A presença ativa dos homens nesse debate reforça o compromisso com os direitos humanos e com uma sociedade mais justa para todas e todos!”