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domingo, 25 janeiro, 2026

A proteção animal começa pelo prato

Confira o conteúdo assinado pelo médico veterinário Felipe Pinto Soares

Em 2024, foram abatidos no Brasil 6,46 bilhões de frangos, 57,86 milhões de suínos e 39,27 milhões de cabeças de gado, segundo dados do IBGE.

Isso corresponde a aproximadamente 202 animais abatidos por segundo, 12.119 por minuto e 17,46 milhões de animais por dia. E isso sem considerar outros produtos de origem animal, como leite e ovos, que podem ser abordados em outro artigo.

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Esses animais foram privados de uma vida livre e justa apenas para atender ao paladar humano. Hoje, já sabemos que não há necessidade de ingerir produtos de origem animal para suprir todos os nutrientes essenciais à manutenção da nossa saúde.

Ao fazermos isso, retiramos desses indivíduos a oportunidade de viverem uma boa vida. Vacas, por exemplo, podem formar laços sociais e até ter “melhores amigas” quando vivem em liberdade.

Grande parte dessa realidade é sustentada pelo especismo, que consiste na discriminação de indivíduos com base em sua espécie. Ele defende os interesses de algumas espécies — como humanos, cães e gatos — enquanto explora outras. Essa lógica cria uma divisão artificial entre animais que devem ser cuidados, animais que podem ser consumidos, animais usados para transporte e aqueles explorados para entretenimento, como já ocorreu com os circos e ainda acontece em práticas como rodeios e vaquejadas.

A proteção animal passa, necessariamente, pelo exercício da empatia. A palavra empatia tem origem na junção de dois termos gregos: en (dentro) e pathos (sentimento, paixão ou sofrimento), significando a capacidade de se colocar no lugar do outro e sentir a experiência alheia como se fosse a própria.

Os animais são seres sencientes, ou seja, possuem capacidade de sentir dor, prazer, medo, alegria e outras emoções. A cada ano, observamos mais pessoas exercendo essa empatia e adotando uma visão mais cuidadosa em relação aos seus animais de companhia. No entanto, não podemos nos esquecer dos animais explorados pela indústria.

Uma forma simples de começar a ajudar também os animais de criação é aderir à chamada “segunda sem carne”, deixando de consumir carne apenas às segundas-feiras. Isso significa retirar esses alimentos do prato por 52 dias ao ano, poupando vidas e promovendo uma reflexão sobre nossos hábitos alimentares. Que tal tentar?

Dessa forma, podemos continuar cuidando dos animais da nossa cidade e, ao mesmo tempo, salvar muitos outros. E quem sabe essa experiência não desperte o interesse por uma alimentação vegetariana ou vegana?

Topa salvar mais animais comigo?

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