“O amanhã só é diferente, quando nós somos”.
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“O ano novo é uma página, o texto somos nós que escrevemos. Sempre há tempo para uma nova reescrita”.
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Hoje, iniciamos um novo ano, 2026! Há quem espere que ele seja um ano diferente apenas porque o calendário mudará, como se janeiro fosse um portal mágico capaz de reorganizar as vidas, curar as impaciências e desbastar certas arestas. Mas o tempo, por mais generoso que seja, não faz nenhum milagre sozinho. Ele só oferece a chance. O resto é trabalho de cada um de nós!
E 2026 não será um ano pequeno. Teremos Copa do Mundo movimentando bandeiras, ruas e pautas de conversas das esquinas. As clássicas discussões sobre a convocação desse ou daquele jogador. E claro, um público à espera do tão sonhado Hexa.
As eleições vão decidir os rumos do país. Haverá debates, tensões, esperanças e frustrações. A mídia fará a sua parte anunciando tudo e mais um pouco. Haverá quem torça, quem vote, quem critique, quem celebre e até quem brigue por tudo isso. Enfim, haverá um país pulsando, como sempre faz.
Mas, no fundo, nada disso terá grande efeito se cada um de nós continuar levando para o Novo Ano as mesmas mágoas, os mesmos atalhos fáceis, os mesmos hábitos que tingem o mundo com o cinza da repetição.
A Copa pode nos unir por alguns dias, mas só a gentileza cotidiana mantém qualquer comunidade de pé. As eleições podem renovar gestores, mas só a participação ativa e consciente muda o destino de um país. As promessas de virada podem encher cadernos, agendas e até cansar as pernas no pular das ondinhas, mas só o empenho silencioso transforma alguma coisa de verdade.
Que tenhamos menos expectativas e mais ações, menos dedos apontados e mais mãos estendidas, menos urgência em vencer discussões e mais esforço em compreender o outro, menos ego e mais coletividade.
Que sejamos torcedores mais éticos, eleitores mais atentos, vizinhos mais presentes, cidadãos mais participativos, que sejamos aquilo que esperamos. Se queremos que 2026 seja um ano melhor, não basta esperar o espetáculo do mundo (ou da cidade). É preciso ajustar “o nosso próprio Réveillon”. Porque nenhum calendário muda o rumo de uma vida se o seu dono não mudar também.
Que venha 2026, com toda a força do que é novo! Mas, acima de tudo, que venha com pessoas dispostas a serem novas também! É assim que os anos realmente melhoram. É assim que os anos realmente começam. Um Feliz 2026 a todos nós!

Tiago Rafael dos Santos Alves
- Professor
- Mestre pelo PPGG-MP – FCT/UNESP
- Doutorando pelo PGAD – FCE/UNESP
- E-mail: [email protected]









