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sexta-feira, 2 janeiro, 2026

VOX: a mente inquieta que sonha grande

O menino que brincava em galerias de drenagem hoje debate o futuro da engenharia no Brasil

Algumas pessoas não passam despercebidas e, às vezes, é difícil explicar o motivo. No caso de Daniel Montagnoli Robles, 44 anos, a razão pode estar no jeito de cumprimentar a todos, na atenção que dá ao entorno e na energia que o mantém sempre em movimento.

Filho de Adamantina, engenheiro, gestor, escritor e conselheiro federal, ele deixa naturalmente por onde passa os resultados de uma mente acelerada, um olhar atento e a crença inabalável de que o trabalho e a educação são motores da verdadeira transformação.

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Foto: Arquivo pessoal

PRINCÍPIOS

Desde cedo, Daniel carregava consigo o poder de ler a realidade sob o prisma das oportunidades e aprendizados. Cresceu nas proximidades da Rua Fioravante Spósito com a Cônego João Batista de Aquino, em Adamantina, em um período de transformação da cidade, marcado pela instalação de galerias para drenagem pluvial.

Nesse cenário, que para muitos era apenas uma obra, para ele e os amigos tornou-se um espaço de aventuras que exigiam coragem e criatividade. “Quando o maquinário cessava as atividades, adentrávamos os grandes tubos e canos, emergindo em uma área então conhecida como ‘buracão’. Essa era uma era de ampla liberdade, e a Engenharia de Segurança do Trabalho talvez ainda não atuasse da forma como hoje”, lembra entre risos.

Filho mais velho, equilibrava a liberdade da juventude com a responsabilidade em ajudar a mãe nas lições de casa enquanto ela conciliava o trabalho de professora da rede estadual com os estudos da faculdade de Estudos Sociais, além de observar minuciosamente a rotina de trabalho incansável do pai, o que lhe garantiria uma maturidade precoce. “Meu pai era a personificação da responsabilidade e do trabalho. Sempre de pé às cinco da manhã, seja dia de semana ou final de semana, sempre pronto para ir trabalhar. Ele me ensinou, pelo exemplo, o que é ter comprometimento. Essas duas forças – a educação da minha mãe e o trabalho incansável do meu pai – formaram uma base muito sólida”, conta, destacando que aluno de escola pública desde a pré-escola até o ensino técnico na Etec Prof. Eudécio Luiz Vicente, sua jornada sempre refletiu tais valores.

A curiosidade, combinada à disciplina herdada dos pais, moldou um profissional preparado, capaz de se adaptar rapidamente às transformações do mercado: formou-se em Tecnologia de Processamento de Dados, Técnico em Eletrônica, Publicidade e Propaganda, Engenharia de Produção e ainda se especializou em Engenharia de Segurança do Trabalho.

“Sempre fui aquele jovem que adorava montar e desmontar coisas, no início com uma ligação especial com a eletrônica, pois a minha geração viveu a introdução da informática, da internet, do celular”, recorda, “após um tempo migrei para áreas de gestão e fui para a produção, mas moldei minha formação a necessidade de mercado. A capacitação tem que ser contínua e plural, assim podemos nos adaptar à evolução do tempo”.

Foto: Arquivo pessoal

SEMPRE EM FRENTE

Com o passar do tempo, indo do empreendedorismo — vendendo computadores e prestando manutenção em impressoras pelo Brasil — até posições de liderança na administração pública, Daniel conseguiu construir uma carreira baseada em esforço contínuo e excelência.

Como Chefe de Gabinete e depois Superintendente de Gestão Estratégica no Crea-SP, chegou a gerenciar orçamentos que ultrapassaram meio bilhão de reais. “Enfrentei disputas em ambientes competitivos, até com profissionais de formação internacional, mas nada supera a persistência. Esse é o verdadeiro segredo do sucesso”, resume.

Movido pelo desejo de contribuir para a sociedade, Daniel também envolveu-se ativamente com a Alta Paulista, participando da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos da Nova Alta Paulista (AEAANAP) e discutindo a necessidade de projetos claros e eficientes para o desenvolvimento regional.

Sua experiência em gestão e visão estratégica o tornaram elo entre profissionais e poder público, transformando intenções em ações concretas, sempre com transparência e compromisso.

O engajamento com a comunidade levou Daniel a se candidatar a prefeito de Adamantina em 2024, motivado pelo convite de lideranças históricas. Para ele, a política local é uma oportunidade de aplicar conhecimento técnico em benefício do cidadão, explicando de forma clara os caminhos para gerar emprego, renda, saúde e educação. “Tenho orgulho de dizer que apresentei apenas propostas viáveis. Hoje posso olhar nos olhos de cada pessoa e reafirmar isso”, garante com tranquilidade.

Mesmo diante de desafios, manteve-se fiel à proposta de atuar de forma honesta e planejada, provando que é possível transformar a administração pública em instrumento de resultados reais. “A motivação veio da certeza de que Adamantina pode ser líder da Nova Alta Paulista”, afirma.

Foto: Arquivo pessoal

POR ONDE PASSA: TRANSFORMAÇÕES

Sua visão estratégica e certeira extrapolou os limites de Adamantina. E recentemente, Daniel assumiu o cargo de conselheiro federal no Confea, órgão que representa engenheiros em todo o Brasil, além de coordenar a Comissão de Controle e Sustentabilidade do Sistema. Com a experiência adquirida no Crea-SP, ele atua para que a engenharia seja reconhecida como motor de crescimento do país, promovendo capacitação profissional, transparência na aplicação de recursos públicos e aproximação com órgãos internacionais.

“Não faltam recursos públicos, faltam projetos claros e equipes técnicas competentes. É isso que transforma gasto em investimento e melhora a vida das pessoas”, afirma.

Sua missão inclui atualizar a legislação profissional, garantir que projetos públicos e privados tenham equipes técnicas competentes e incentivar a valorização do engenheiro brasileiro, tanto no mercado nacional quanto internacional. Cada decisão reflete a mesma determinação cultivada desde jovem: transformar conhecimento em resultados, sempre com integridade, visão estratégica e convicção.

Foto: Arquivo pessoal

MUDAR O MUNDO, MAS COMEÇAR POR AQUI

Apesar da atuação de importância nacional e viagens constantes, Daniel nunca abriu mão de suas raízes e da família. Mantendo-se em Adamantina, próximo da esposa Aline e do filho Rafael, encontra seu foco nos pequenos momentos: levar o filho para jogar bola, participar de atividades familiares, fazer churrascos e manter tradições como a missa aos sábados.

Ele ressalta que o nascimento prematuro de Rafael, com apenas 30 semanas, foi um dos momentos da vida pessoal que reforçou a importância de lutar por uma cidade com mais estrutura e igualdade. “A falta de estrutura em Adamantina quase fez com que ele [Rafael] não viesse com segurança. Por Deus, conseguimos ir para Presidente Prudente e ter a estrutura necessária, mas esse foi um ponto que me toca até hoje, pois parei minha vida para podermos vencer esse desafio. A falta de estrutura e de plano estratégico é algo que me toca profundamente, pois entendo que poderíamos ter uma estrutura muito melhor e maior, mesmo porque nem todo mundo teve a oportunidade que eu tive”, observa.

A experiência fortaleceu sua família e moldou sua visão sobre políticas públicas eficientes e uma sociedade que ofereça oportunidades reais para todos, sejam elas básicas ou profissionais. “Meu desejo é que a juventude da nossa região não precise andar tanto quanto eu andei para conquistar espaço. Precisamos de lideranças que falem a verdade, que não vendam promessas vazias.”

Foto: Arquivo pessoal

VEM MAIS POR AÍ

Seja em Adamantina, na Alta Paulista ou em todo o Brasil, sua missão permanece inata: aplicar conhecimento, integridade e dedicação para gerar resultados concretos, melhorar vidas e abrir caminhos para as próximas gerações. Recentemente, lançou um livro voltado a jovens do ensino médio e quem busca uma segunda graduação, mostrando como a Engenharia de Produção pode abrir portas e novas oportunidades.

É essa convicção, cultivada desde a infância, que faz de Daniel um exemplo de como o olhar atento e o esforço contínuo podem mover cidades, estados e pessoas. Sendo impossível passar despercebido.

“Espero profundamente que o interior, principalmente a Alta Paulista, consiga encontrar seu caminho de desenvolvimento, observando as mudanças globais e as oportunidades de mercado. Que possamos aplicar recursos para desenvolver nossa região e garantir um futuro próspero para a juventude”, conclui.

 

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