
A concretagem dos canteiros centrais da avenida Adhemar de Barros, em Adamantina, provocou ampla repercussão nos últimos dias e abriu um debate público envolvendo moradores, vereadores e a Prefeitura. A intervenção transformou áreas que anteriormente eram compostas por vegetação em espaços cobertos por concreto, gerando críticas e também manifestações favoráveis à medida.
CONTRÁRIOS
Nas redes sociais, o tema mobilizou centenas de comentários e diversas publicações. A maior parte das manifestações foi contrária à decisão.
Entre as críticas, moradores escreveram: “Isso é um absurdo, tem que ser visto estes dias de calor, é difícil ficar no comércio que já é concretado, imagina o que está fazendo onde tem uma areazinha de terra, está cobrindo. Por que não planta flores?”
Outro comentário dizia: “Temos que preservar nossa cidade, nada como uma cidade com um ambiente arborizado, florido, precisamos de verde, ar puro, não concreto. Queremos flores, gramas.”
Também houve quem afirmasse: “Esta ideia só pode ser de alguém que é contra a natureza. Adamantina precisa de mais árvores, pois o clima de nossa cidade está insuportável. Se não nos conscientizarmos que precisamos de mais verde, árvores e flores para amenizar o calor, não iremos sobreviver.”
No Legislativo, vereadores se posicionaram de forma crítica à decisão. Em vídeo publicado nas redes sociais, o vereador Aguinaldo Galvão declarou: “Retrocesso em forma de cimento – isso não está certo, Adamantina! O mundo inteiro está plantando mais árvores, criando sombra, pensando no verde dentro das cidades. E Adamantina? Tampando canteiro com cimento. Numa cidade quente como a nossa, isso não faz o menor sentido. De quem foi essa ideia? Vou cobrar explicação e vou lutar para reverter isso. Nossa cidade merece muito mais do que esse retrocesso!”

Já o vereador Daniel Fabri publicou: “Existem imagens que, sozinhas, falam por si só. Nos últimos dias, a população de Adamantina se deparou com cenas que causam preocupação: canteiros que antes abrigavam áreas verdes foram concretados. Mais do que uma questão estética, estamos falando de algo muito maior: qualidade de vida, equilíbrio ambiental e responsabilidade com a nossa cidade.”
Ele acrescentou: “Áreas permeáveis ajudam na infiltração da água da chuva, alimentam o lençol freático, reduzem enchentes e combatem as ilhas de calor, um problema cada vez mais presente diante das mudanças climáticas. Cuidar do meio ambiente não é luxo: é uma necessidade e uma política pública essencial.”
E concluiu: “Por isso, cobraremos transparência e explicações claras sobre quais estudos, planejamentos e fundamentos sustentaram atitudes como essa.”

FAVORÁVEIS
Por outro lado, parte da população apoiou a iniciativa. Entre os comentários favoráveis, um morador escreveu: “Uma das melhores coisas que esse prefeito fez até agora, acabou lixo, mal cheiro, e cachorros virando lixo e espalhando, fora o desperdício com mão de obra para manter limpo, acabou o prejuízo com carros danificados na roçagem e o risco de atropelamento por condutores desatentos ao trânsito, acabou o transtorno de trânsito desviado.”
Outro posicionamento dizia: “Vou dizer que, antes, os canteiros eram de flores, mas a população, não generalizando, não colabora, virou entulho de lixo, o povo é sem educação, não colabora, eu faria o mesmo.”
PREFEITURA SE JUSTIFICA
Em nota encaminhada ao IMPACTO, a Prefeitura de Adamantina, por meio da Secretaria Municipal de Obras e Serviços, informou: “A decisão de concretar alguns canteiros foi tomada porque os locais apresentavam problemas causados por pessoas que depositavam todo tipo de lixo nos lugares, como garrafas – acumulando água da chuva e servindo de criadouro para o mosquito que transmite a dengue e outras doenças – material orgânico, sacolas, mato e galhos.”
A administração acrescentou: “Isso estava matando as plantas e atraindo animais peçonhentos, o que significa um risco para a saúde pública. Mesmo existindo lixeiras próximas aos canteiros, com a implantação de placas orientando que é proibido colocar lixo e outros materiais nestes locais (Lei nº 2.449/92), não houve a colaboração necessária de parte da população.”
Ainda segundo o Executivo: “Estes canteiros são feitos em cima do asfalto e não têm contato direto com o solo, portanto a água da chuva que passa por estes canteiros não vai para o subsolo.”
A Prefeitura informou também que os primeiros canteiros concretados foram considerados os mais críticos e que outros pontos seguem em avaliação. “A Prefeitura está avaliando a situação e já adotando medidas para que os canteiros possam ser adotados pela população, por meio da Lei nº 3.715, de 08 de junho de 2016, que dispõe sobre a campanha ‘Adote o Verde’”, destacou na nota.









