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sábado, 7 fevereiro, 2026

Desnutrição oculta: médico alerta que excesso de peso não é sinônimo de corpo bem nutrido

Dr. Alex Saurin explica os perigos da automedicação com suplementos e o uso indiscriminado de injetáveis para emagrecimento sem mudança de hábitos

Dr. Alex Saurin
Dr. Alex Saurin atende na Avenida Rio Branco, 205, no Centro | Reprodução: Arquivo pessoal

Engana-se quem pensa que a desnutrição está ligada apenas à magreza extrema. Segundo o médico urologista e nutrólogo Dr. Alex Saurin, é cada vez mais comum o quadro de “desnutrição oculta”, onde o paciente apresenta excesso de peso, mas sofre com a carência de nutrientes essenciais para o funcionamento do organismo.

O especialista explica que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, aliado à baixa ingestão de proteínas, vitaminas e minerais, gera um corpo inflamado e exausto. “Desnutrição é quando o corpo não recebe ou não consegue usar os nutrientes que precisa. O resultado é um paciente hormonalmente desregulado e mentalmente cansado, mesmo sem perda de peso”, afirma Saurin.

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Os sinais desse desequilíbrio vão além da balança. Fisicamente, o corpo emite alertas como queda de cabelo, unhas fracas, inchaço nas pernas e abdômen, além de infecções frequentes devido à baixa imunidade. No aspecto mental, a desnutrição oculta se manifesta através de falhas na memória, irritabilidade, ansiedade e desânimo constante.

O PERIGO DA “VITAMINA DA MODA”

Na busca por compensar a falta de energia ou melhorar a saúde, muitos recorrem à automedicação com polivitamínicos, acreditando que “mal não faz”. Dr. Alex alerta que essa prática oferece riscos reais à saúde, como a sobrecarga do fígado e dos rins.

“O excesso de ferro pode causar lesão hepática, assim como a vitamina D em doses altas pode elevar perigosamente o cálcio no sangue”, exemplifica. Para o médico, a suplementação só deve ocorrer após avaliação clínica e exames que comprovem deficiências específicas, como em casos de pós-bariátrica, gestação ou doenças crônicas. “Na nutrologia, não perguntamos qual suplemento tomar, mas sim o que está faltando no organismo”, pontua.

INJETÁVEIS E A “FALSA MÁGICA”

Sobre a explosão do uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento (como os análogos de GLP-1), Saurin avalia o cenário com cautela. Embora considere as medicações ferramentas eficazes quando bem indicadas, ele critica a banalização do uso como um “atalho”.

“O medicamento reduz o apetite e facilita a adesão, mas não corrige hábitos alimentares ruins nem constrói massa muscular”, explica. O médico reforça que, sem reeducação alimentar, o paciente corre alto risco de sofrer o efeito rebote (recuperação do peso) assim que suspender a medicação.

GORDURA E HORMÔNIOS

Outro mito abordado pelo especialista é a ideia de que o “metabolismo lento” ou hormônios desregulados são os únicos culpados pela obesidade. Na maioria dos casos, ocorre o inverso: é o excesso de gordura que desregula os hormônios.

“O tecido adiposo funciona como um órgão endócrino. Quando em excesso, ele produz substâncias inflamatórias que pioram a resistência à insulina e diminuem a testosterona em homens, criando um ciclo vicioso”, detalha.

Para quem busca longevidade e autonomia até os 80 anos, Dr. Alex Saurin é categórico: não existe pílula mágica. O caminho envolve um conjunto de pilares que inclui alimentação anti-inflamatória, sono reparador, controle do estresse e, fundamentalmente, exercício físico regular.

SERVIÇO

O Dr. Alex Saurin (CRM-SP 101.819, RQE 23.932) é médico urologista e nutrólogo, e professor universitário do curso de Medicina da FAI. Com foco em saúde, bem-estar e qualidade de vida, o especialista realiza atendimentos nas cidades de Adamantina e Piracicaba. Em Adamantina, o consultório está localizado na Avenida Rio Branco, 205, no Centro. 

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