
A coleta seletiva em Adamantina, realizada todas as terças-feiras a partir das 5h, tem esbarrado na falta de conscientização da população e na coleta informal. Dados divulgados pela comunicação da Prefeitura de Adamantina mostram que apenas 2,5% do material que chega à Cooperadam (Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis de Adamantina) é efetivamente reciclável. O restante é lixo comum.
Como resultado, cerca de 1.000 toneladas de resíduos que deveriam ser reaproveitados acabam sendo enviadas todos os meses para um aterro sanitário particular.
O cenário em Adamantina reflete um gargalo nacional. O Brasil gera entre 81 e 90 milhões de toneladas de lixo por ano, com uma taxa de coleta de aproximadamente 76 milhões de toneladas. No entanto, a porcentagem real de reciclagem no país gira entre apenas 3% e 8%, segundo dados de 2023 a 2025 da Abrema (Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente) e SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento).
Estudos também indicam que de 30% a 80% do lixo urbano gerado tem potencial de reaproveitamento (papel, plástico, vidro, metal e orgânicos para compostagem). O descarte de plástico apresenta a situação mais crítica: a estimativa é de que apenas 1,2% de todo o lixo plástico do país seja reciclado.

DESAFIO LOCAL
Na Central de Reciclagem de Adamantina, localizada na Estrada Municipal ADM-30 (Zona de Expansão, Córrego do Rancho), o impacto do baixo índice de separação é direto. Os 18 trabalhadores da cooperativa recebem um repasse base da Prefeitura, mas dependem da venda do material reciclado para compor a renda, que atinge em média R$ 1.800 a R$ 2.000 mensais.
“O que chega aqui para a cooperativa é só o amontoado do amontoado, o resto do resto”, afirma uma trabalhadora. A escassez ocorre porque catadores independentes, alguns vindos de cidades vizinhas, como Flórida Paulista e Lucélia, coletam antes da passagem do caminhão da coleta seletiva. Para não ficarem sem material, a cooperativa passou a realizar coletas extras diárias utilizando um caminhão cedido pela Prefeitura.

SAÚDE PÚBLICA E FISCALIZAÇÃO
A coleta informal também gera preocupações sanitárias. Trabalhadoras da Cooperadam alertam que muitos catadores independentes armazenam os recicláveis em quintais de forma inadequada, criando criadouros para animais peçonhentos e para o mosquito transmissor da dengue. A cooperativa cobra maior fiscalização do poder público sobre esses depósitos irregulares.
A estrutura da Cooperadam, por outro lado, opera em barracão coberto, conta com prensas e passa por fiscalização constante. As cooperadas também desmentem a ideia de que a entidade seja a responsável por rasgar sacos de lixo e sujar calçadas.

COMO A POPULAÇÃO PODE AJUDAR A COOPERADAM
Para aumentar o índice de 2,5% de reciclagem em Adamantina, a cooperativa orienta os moradores:
Separação correta: Coloque o lixo reciclável para fora nas terças-feiras. Não misture com lixo orgânico (restos de comida, papel higiênico);
Condomínios fechados: Moradores de residenciais devem intensificar a separação e os condomínios podem destinar o volume diretamente à cooperativa;
Busca em domicílio: A Cooperadam atende a chamados para buscar volumes de recicláveis em casas e comércios;
Vidros e eletrônicos: Televisores velhos, máquinas de lavar e vidros (inteiros ou quebrados) são bem-vindos. Basta ligar para agendar a retirada. Apenas pilhas não são aceitas;
Pneus: Podem ser entregues na cooperativa, mas o morador deve cobri-los com lonas para evitar o acúmulo de água.









