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sábado, 14 fevereiro, 2026

Nove em cada 10 mães sofrem com burnout parental devido à pressão por perfeição

Psicóloga Evelini Ferraz Rodrigues detalha os sintomas do esgotamento físico e emocional e aponta caminhos para preservar a saúde mental

Psicóloga Evelini Ferraz Rodrigues | Foto: Arquivo pessoal

A idealização da maternidade, que cobra das mulheres o papel de “mãe perfeita” (sempre disponível, amorosa e produtiva), tem gerado uma epidemia de exaustão. Segundo levantamento de 2024 da empresa Kiddle Pass em parceria com a B2Mamy, nove em cada 10 mães brasileiras apresentam sinais de burnout parental – esgotamento físico e mental ligado ao cuidado com os filhos.

Para a psicóloga Evelini Ferraz Rodrigues, especialista em saúde da mulher, essa busca por um padrão inalcançável é um dos principais fatores de adoecimento psíquico feminino. “Essa lógica invisibiliza experiências reais da maternidade, como cansaço, medo, ambivalência e solidão”, afirma.

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O burnout parental difere do cansaço físico habitual. Segundo a especialista, trata-se de um esgotamento profundo que não melhora apenas com descanso. A mãe passa a funcionar no “piloto automático”, cuidando sem conexão ou prazer, muitas vezes sentindo-se irritada ou culpada. “Podem surgir indiferença, explosões de raiva e a sensação de querer fugir”, explica Evelini.

CULPA E CARGA MENTAL

Um dos combustíveis desse esgotamento é a chamada “culpa materna”, sentimento constante de insuficiência. A psicóloga explica que essa culpa é uma construção social que coloca a maternidade como medida de valor da mulher. “Quando a mulher compreende que não falhou, mas foi colocada em um lugar estruturalmente inviável de sustentar sozinha, a culpa começa a diminuir”.

Outro fator agravante é a carga mental (o trabalho invisível de planejar, gerenciar e antecipar as necessidades da família), que recai majoritariamente sobre as mulheres. “É como viver em estado permanente de alerta”, diz a psicóloga. A longo prazo, esse gerenciamento constante gera irritabilidade, dificuldade de concentração e exaustão crônica.

SINAIS DE ALERTA E AUTOCUIDADO

É necessário estar atenta aos sinais de que a tristeza ou o cansaço ultrapassaram o limite saudável. Choro frequente, falhas de memória, insônia (mesmo estando cansada) e perda de prazer nas atividades cotidianas são indicativos de que é hora de buscar ajuda profissional.

Evelini destaca que o autocuidado vai muito além de procedimentos estéticos. “Na prática clínica, é comum encontrar mulheres com sintomas depressivos relacionados a carências nutricionais e exaustão física”, relata. O cuidado começa pelo básico: manter exames de saúde em dia e tentar garantir noites de sono reparadoras.

Para isso, o papel da rede de apoio é fundamental. Parceiros e familiares devem oferecer sustentação emocional e prática, dividindo responsabilidades e protegendo o descanso da mãe, em vez de apenas julgar ou dar conselhos não solicitados.

SERVIÇO

A psicóloga Evelini Ferraz Rodrigues realiza atendimentos exclusivamente online. A modalidade foi adotada para facilitar o acesso de mães que, muitas vezes, encontram dificuldades logísticas para sair de casa ou deixar os filhos para cuidar de si. O formato reduz barreiras de deslocamento e tempo, mantendo a qualidade e o sigilo do atendimento presencial.

Para agendamentos e mais informações, o contato pode ser feito através das redes sociais ou canais de atendimento da profissional: @psieveliniferraz ou (18) 99695-4736.

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