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segunda-feira, 9 março, 2026

8 de março, dia de comemorar. Para quem?

Confira o conteúdo assinado pela ativista Meire Cunha

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é um momento de reflexão sobre a trajetória das mulheres ao longo da história da humanidade. Durante séculos, as mulheres estiveram presentes em todas as sociedades, desempenhando papéis fundamentais para a continuidade da vida, para a organização das famílias e para o desenvolvimento das comunidades. Ainda assim, sua participação social, política e econômica muitas vezes foi invisibilizada ou limitada por estruturas de poder que privilegiaram os homens.

Desde o início da história humana, há um fato inegável: todo ser humano que já existiu ou que existe neste planeta só pôde nascer a partir do útero de uma mulher. A mulher é, portanto, a origem biológica da humanidade. Esse papel essencial para a existência da vida, porém, não foi acompanhado por igualdade de direitos ao longo do tempo. Pelo contrário, em muitos momentos da história, as mulheres foram perseguidas, assassinadas,desmoralizadas, manipuladas como objeto a ponto de serem impedidas de estudar, trabalhar, votar ou participar das decisões políticas de suas sociedades.

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No Brasil, as mulheres também desempenham um papel central na sustentação das famílias. Em milhões de lares brasileiros, elas são o principal sustento econômico, além de acumularem responsabilidades domésticas e de cuidado com filhos, idosos e familiares. Mesmo enfrentando jornadas múltiplas e desafios sociais, muitas mulheres seguem sendo o verdadeiro esteio de suas famílias e comunidades.

Apesar de avanços conquistados ao longo das últimas décadas, a realidade ainda apresenta graves problemas que precisam ser enfrentados. O feminicídio, que é o assassinato de mulheres motivado por violência de gênero, continua sendo uma realidade preocupante no país.

Além disso, os casos de violência sexual e estupro seguem aumentando ou permanecem em níveis alarmantes, revelando uma cultura de violência que ainda afeta profundamente a segurança e a dignidade das mulheres.

Outro ponto importante é a desigualdade na atenção à saúde feminina. Existem diversas condições e fases da vida que atingem exclusivamente as mulheres, como a dignidade menstrual, a menopausa, a endometriose e outras questões relacionadas à saúde reprodutiva. No entanto, historicamente, esses temas receberam menos investimento em pesquisa,ou demoram muito mais á entrarem na pauta de tratamento e políticas públicas, demonstrando como a saúde da mulher muitas vezes foi tratada como secundária.

A desigualdade também aparece na política e nas posições de poder. Mesmo sendo maioria na população brasileira, as mulheres ainda são minoria no Congresso Nacional, no Senado e em diversos espaços de liderança, tanto na política quanto no setor privado, inclusive com salários desiguais entre gêneros, para a mesma função. Isso mostra que ainda existe um longo caminho para garantir uma representação mais justa e equilibrada nas decisões que afetam toda a sociedade.

Por tudo isso, o Dia Internacional da Mulher não é uma data comemorativa. É um momento de lembrar a história de luta por direitos, reconhecer a importância das mulheres na construção da sociedade e refletir sobre os desafios que ainda precisam ser superados.

Valorizar as mulheres, combater a violência e promover igualdade de oportunidades são passos fundamentais para construir uma sociedade mais justa para todos.

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