Alta Paulista e Nova Alta Paulista. Como distingui-las?

Alta Paulista refere-se à totalidade do território com denominação influenciada pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro; Nova Alta Paulista refere-se à porção centro-ocidental desse território, cuja denominação é dada por seus moradores.

Evolução da frente pioneira no espigão divisor Aguapeí-Peixe
SILVA, R. Galdino, 1989.

É comum as pessoas terem dificuldade para distinguir a Alta Paulista e a Nova Alta Paulista. Afinal, quem é quem? Quando usar uma ou outra denominação? Alta Paulista é mais genérica e engloba toda a faixa territorial nomeada pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, tendo Marília como centro regional de referência. Sua colonização por povos não indígenas aconteceu, principalmente, na década de 1920. A Nova Alta Paulista corresponde a um conjunto de municípios mais a oeste, cuja formação intensificou-se entre as décadas de 1930 e 1950. Ela não consta em nenhum mapa oficial do estado de São Paulo, tendo sido cunhada principalmente por seus moradores, o que lhe atribui uma condição muito particularizada no contexto regional.

Na paisagem natural do estado de São Paulo, a Alta Paulista configura-se como uma faixa disposta na porção centro-oeste do território, delimitada por três rios: Aguapeí (sentido setentrional), Peixe (sentido meridional) e Paraná (sentido ocidental). A configuração do relevo inclinado de leste para oeste, em direção à calha do rio Paraná e o interflúvio entre os dois rios a ele perpendiculares, formam o chamado espigão divisor Aguapeí e Peixe, constituinte das UGRHI 20 e 21, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).

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É composta por 4 regiões de governo: Marília (14 municípios), Tupã (10 municípios), Adamantina (12 municípios) e Dracena (10 municípios). São 46 municípios, onde residem cerca de 776.000 habitantes, tendo Marília como cidade principal. Representa cerca de 6% do território paulista e cerca de 1,68% da população estadual (Seade, 2025).

A partir do final do século XIX, com o intuito de expandir a cultura cafeeira para o interior do estado, as ferrovias tiveram importante papel na configuração espacial e formação das cidades, inclusive nomeando as regiões por onde passavam. O nome Alta Paulista deriva da presença do tronco oeste da Companhia Paulista de Estradas de Ferro (CPEF), ligando Itirapina a Panorama.

O processo histórico de ocupação imprimiu características peculiares à porção mais ocidental da Alta Paulista, o que lhe rendeu a autodenominação de Nova Alta Paulista por parte dos moradores dos trinta municípios que compõem a Associação dos Municípios da Nova Alta Paulista (AMNAP).

A expansão da ferrovia no sentido leste oeste tornou-se preponderante sobre as rotas espontâneas anteriores, vindas da Noroeste (Araçatuba e Andradina, sentido norte sul) e da Sorocabana (Presidente Prudente, sentido sul norte). Assim, nesta subárea, a maior parte da ocupação por povos não indígenas ocorreu predominantemente nas décadas medianas do século XX, especialmente entre 1930 e 1950.

Segundo o IBGE, a proximidade e o predomínio de cidades com menos de 20 mil habitantes marcam a ocupação regional, com destaque para Dracena (47 mil habitantes), Adamantina (35 mil habitantes), Osvaldo Cruz (32 mil habitantes), Tupã (65 mil habitantes) e Marília (235 mil habitantes).

Temos particularidades que nos diferenciam das regiões do entorno, atribuindo-nos características muito peculiares e, algumas delas, ainda pouco conhecidas por boa parte dos seus moradores. A cada texto, vamos colocando algumas dessas características, que definem as nossas identidades.

Prof.ª dr.ª Izabel Castanha Gil

Centro Universitário de Adamantina/FAI

Coordenadora da CPL do Jatobá

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