
Inspirado na trajetória de Santa Dulce dos Pobres, conhecida como “Anjo bom da Bahia” por sua dedicação aos mais pobres e doentes, o ambulatório que leva o nome da religiosa brasileira será inaugurado nesta sexta-feira (20), em Adamantina, com a proposta de ampliar o cuidado humanizado e o acesso à saúde mental no município.
A nova unidade integra o complexo da Associação de Repouso Nosso Lar e passa a atender pacientes que anteriormente realizavam acompanhamento psiquiátrico no CIS (Centro Integrado de Saúde) e nas unidades básicas do município. A iniciativa é resultado de parceria entre a entidade, a Prefeitura de Adamantina e a FAI (Centro Universitário de Adamantina), com foco na ampliação da oferta de serviços especializados e também na formação de futuros médicos.


O novo prédio conta com cerca de 400 metros quadrados de área construída, incluindo recepção, consultório médico, quatro ambulatórios e três salas destinadas a atendimentos de assistência social e psicologia. A área externa também foi reestruturada, com aproximadamente 1.800 metros quadrados destinados ao estacionamento e ao acolhimento dos usuários.
Além do atendimento ambulatorial, o espaço também será utilizado para a recepção de pacientes do Hospital Psiquiátrico PAI Nosso Lar, que possui alas feminina e masculina. A ala masculina, inclusive, será o próximo setor a receber melhorias dentro do plano contínuo de requalificação da instituição.


COMPLEXO DE ATENDIMENTO
A Associação de Repouso Nosso Lar mantém três serviços principais: o Hospital Psiquiátrico PAI Nosso Lar, que conta com 85 leitos e é referência para 62 municípios, com atendimento 100% pelo SUS, via Cross (Central de Regulação), Santa Casa ou decisão judicial; o Centro Dia para a Pessoa Idosa, com 20 vagas, voltado ao atendimento de média complexidade em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social; e, agora, o Ambulatório Santa Dulce dos Pobres, com demanda municipal e foco na ampliação do acesso à saúde mental.
A instituição tem origem em 1969, com a fundação da AFEA (Associação Filantrópica Espírita de Adamantina). Em 2017, diante de uma crise que colocava em risco a continuidade dos serviços, o Poder Judiciário interveio e promoveu a reestruturação da entidade, que passou a ser administrada por diretorias ligadas às paróquias Santo Antônio e Nossa Senhora de Fátima.
Desde então, a entidade vem passando por um processo de reorganização administrativa e estrutural, com a implantação de um novo organograma, protocolos de atendimento e atividades terapêuticas voltadas aos pacientes.
Segundo o gestor hospitalar Milton Ura, o momento atual é resultado de um esforço coletivo. “Mérito do Poder Judiciário, por meio da juíza de Direito Ruth Duarte Menegatti, que não mediu esforços para evitar o fechamento da instituição e garantir atendimento digno às pessoas que necessitam de cuidados em saúde mental”, destacou.
Atualmente, a instituição conta com cerca de 130 funcionários, mantém as contas equilibradas e segue investindo na melhoria dos serviços, com recursos próprios, parcerias com prefeituras, instituições de ensino e emendas parlamentares.
A cerimônia de inauguração, que ocorre às 10h, contará com a presença do bispo da Diocese de Marília, Dom Luiz Antonio Cipolini, além de autoridades locais, profissionais da saúde, representantes de instituições parceiras e membros da comunidade.
LIVRO “ALÉM DAS SENTENÇAS” SERÁ LANÇADO DURANTE A INAUGURAÇÃO

Durante a programação de inauguração do Ambulatório Santa Dulce dos Pobres, será lançado o livro-cartilha “Além das Sentenças”, que retrata a trajetória de transformação da Associação de Repouso Nosso Lar e a mobilização da sociedade em torno da causa da saúde mental.
A obra, idealizada pela juíza de Direito Ruth Duarte Menegatti, nasce a partir de histórias reais e tem como principal objetivo registrar a construção coletiva que possibilitou a reestruturação da instituição.
“Essa cartilha nasce da história viva de pessoas que acreditaram que nenhuma vida deve ser esquecida. Cada página é um convite para olhar o outro com mais humanidade, mais empatia e mais responsabilidade social”, destacou a magistrada ao IMPACTO.
Segundo ela, o livro não é uma obra individual, mas um registro de esforços conjuntos. “O propósito é registrar uma obra que não é minha, é uma obra de muitos. Pessoas que acreditaram junto comigo que seria possível transformar essa realidade”, afirmou.
A publicação reúne relatos de diferentes segmentos da sociedade, incluindo profissionais da saúde, representantes da área jurídica, lideranças religiosas e apoiadores da causa. Entre os destaques estão contribuições do psiquiatra Guido Palomba e de profissionais do Direito que atuam com advocacia pro bono.
Ruth também enfatiza o potencial educativo da obra. “É um livro que pode ser trabalhado nas escolas, nas faculdades, especialmente na área da saúde, discutindo empatia, solidariedade e responsabilidade social”, explicou.
O livro estará disponível para aquisição durante o evento, com possibilidade de doações destinadas à manutenção do hospital, que realiza atendimento 100% pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
“Não é falar de mim, mas de uma história construída por toda a sociedade de Adamantina. Qualquer pessoa é capaz de transformar realidades quando há propósito”, concluiu.












