
Resiliência, determinação, força, leveza e acessibilidade são alguns dos adjetivos que representam a importância da mulher na segurança pública em todo o país. Em Adamantina, essas características podem ser associadas à 2º Sargento da Polícia Militar Josiane Testa Revolta. Prudentina de nascimento e primogênita entre três irmãs, ela atua hoje na 2ª Companhia do 25º Batalhão de Polícia Militar do Interior.
Integrante da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Josiane retornou às atividades operacionais após período de licença-maternidade e é um dos exemplos de que “determinação, preparo e resiliência não são atributos vinculados ao gênero, mas ao caráter e à vocação”, como destaca em entrevista especial ao IMPACTO.
Casada com o também policial militar Rafael Revolta e mãe do pequeno Guilherme, de sete meses, ela concilia a rotina intensa da corporação com a maternidade, reforçando que vocação e compromisso com o serviço público caminham lado a lado com a vida pessoal.
“Considero essencial refletir sobre a mulher como pilar de equilíbrio e construção social. Seja no ambiente familiar, profissional ou institucional, a presença feminina agrega sensibilidade estratégica, firmeza e capacidade de gestão. O reconhecimento do papel da mulher não deve ser circunstancial, mas cotidiano, pautado no respeito e na valorização de suas múltiplas competências”, afirma.
DA ÁREA ADMINISTRATIVA À VOCAÇÃO POLICIAL
A carreira na Polícia Militar começou em 2006, quando ingressou como Soldado Temporário. À época, atuava como freelancer na área de vendas e, por intermédio de um familiar, tomou conhecimento do concurso.
“Não era um sonho de infância, pois eu desconhecia por completo o universo militar. A decisão amadureceu ao longo da vivência como Soldado Temporário. O convívio diário com a disciplina e o compromisso em servir e proteger a sociedade despertou em mim o desejo de seguir carreira de forma efetiva”, relembra.
Após novo concurso público, passou a integrar o efetivo permanente e cursou a Escola Superior de Soldados, na capital paulista, formando-se em 2012. Desde então, construiu uma trajetória marcada pelo aperfeiçoamento constante, com aprovações nos concursos para Cabo, em 2017, e para Sargento, em 2020.
DESAFIOS E MOMENTOS MARCANTES
Entre os episódios que reforçaram sua escolha pela profissão, um momento específico permanece vivo na memória. Recém-formada, ao transitar fardada pela região dos Jardins, em São Paulo, ouviu o pedido de socorro de uma mulher vítima de roubo.
“Visualizei o autor em fuga e, mesmo estando sozinha, iniciei o acompanhamento a pé, conseguindo interceptá-lo. Procedi à contenção e mantive-o sob custódia até a chegada do apoio. Ali compreendi, de forma concreta, o alcance e a responsabilidade da missão que havia assumido”, relata.
A rotina operacional, segundo ela, é marcada pela imprevisibilidade. “Lidamos com ocorrências de elevada complexidade, nas quais não há margem para erro. É preciso discernimento, equilíbrio emocional e tomada de decisão técnica e célere.”
SER MULHER NA SEGURANÇA PÚBLICA
Ao longo da carreira, Josiane enfrentou desafios que exigiram resistência física e emocional, como a atuação em manifestações na Avenida Paulista, em 2014, durante longas horas de controle de distúrbios civis.
“A resistência física e emocional foi determinante. Contudo, encarei cada missão com serenidade e profissionalismo, consciente de que a farda exige preparo e abnegação, independentemente de gênero”, pontua.
Ela reconhece que a corporação, historicamente masculina, vem passando por transformações. “A instituição tem se aperfeiçoado e reconhecido, cada vez mais, a competência e o valor das mulheres no desempenho de suas atribuições.”
Segundo a sargento, os editais são indistintos sob a perspectiva de gênero desde 2010, adotando critérios isonômicos que permitem a homens e mulheres concorrer, em igualdade formal, às mesmas vagas. “Essa evolução revela a consolidação do princípio da isonomia e reforça a plena capacidade técnica da mulher de ocupar e disputar os mesmos espaços institucionais.”
MATERNIDADE E LIDERANÇA
Mãe recente, Josiane destaca que a maternidade trouxe ainda mais senso de responsabilidade à sua atuação profissional. Durante a gestação, foi designada para atividades administrativas, sem se afastar do compromisso institucional. “Com dedicação e propósito, é plenamente possível conciliar autoridade, feminilidade e excelência profissional”, afirma.
Formada em Gestão Pública, pós-graduada em Polícia Comunitária e Docência em Segurança Pública, atualmente cursando Inteligência Policial e com formação em Comunicação Social e Polícia Judiciária Militar, ela defende o aperfeiçoamento contínuo como ferramenta essencial para o exercício da liderança.
“Comandar é, antes de tudo, servir com exemplo, equilíbrio e responsabilidade.”
INSPIRAÇÃO PARA NOVAS GERAÇÕES
No Dia Internacional da Mulher, a sargento deixa uma mensagem às meninas e mulheres que sonham com a carreira policial.
“Que se preparem com disciplina, cultivem valores sólidos e não subestimem sua própria capacidade. A carreira exige estudo, preparo físico e equilíbrio emocional.”
Para ela, a reflexão sobre o papel feminino deve ultrapassar datas comemorativas. “O reconhecimento da mulher não deve ser circunstancial, mas cotidiano, pautado no respeito e na valorização de suas múltiplas competências”, conclui.








