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segunda-feira, 9 março, 2026

Muito além do rótulo de ‘guerreira’: a trajetória de resistência e voz de Jesana Lima

Comunicadora reflete sobre os desafios superados ao longo carreira e da vida

Jesana Lima | Foto: Arquivo pessoal

Aos 34 anos, a jornalista Jesana Lima dirige a Comunicação da FAI (Centro Universitário de Adamantina) e a própria empresa, a JL Comunicação. Com 15 anos de dedicação à instituição, sua trajetória profissional é marcada pela superação de barreiras financeiras e do machismo estrutural.

A decisão de cursar jornalismo ocorreu no ensino médio, após apresentar um telejornal amador em uma atividade escolar. A escolha, no entanto, resultou na perda do apoio financeiro do pai, que preferia a graduação em administração. Para custear os estudos, Jesana dividiu sua rotina em três turnos: trabalhou como empregada doméstica pela manhã, fez curso técnico à tarde e cursou a faculdade à noite.

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No mercado de trabalho local, a jornalista lidou com o machismo nas redações. Em seus primeiros estágios, recebia pautas de menor relevância sob a justificativa velada de que mulheres não teriam credibilidade para assuntos de peso. O principal embate ocorreu em 2017, ao assumir a diretoria de comunicação pela primeira vez. Um ex-professor afirmou diretamente que não a considerava capaz para o cargo. A resposta de Jesana foi garantir que colocaria em prática os ensinamentos recebidos dele em sala de aula.

Atualmente em sua segunda passagem pela direção, Jesana rejeita a romantização do rótulo de “guerreira”. Mãe solo de Rebecca, 6, ela afirma que a força é uma ferramenta de sobrevivência impulsionada pela maternidade. Sua rotina diária começa às 5h30 e exige a conciliação entre a gestão da casa, a liderança da instituição e a administração de sua empresa.

A profissional destaca que a vivência prática fez com que ela deixasse para trás a mentalidade do início da carreira, muitas vezes atrelada ao medo de perder o emprego. Hoje, ela afirma que o seu único lamento foi não ter buscado terapia e conhecimento mais cedo, o que teria ajudado a identificar situações de abuso de forma precoce e encurtado períodos de sofrimento.

Inspirada pela falecida mãe, pela jornalista Ana Paula Padrão e por figuras locais como a Prof.ª Dra. Fúlvia Veronez, Jesana deixou no passado o medo de se impor. Hoje, com a carreira consolidada, a jornalista orienta que as pessoas estabeleçam metas e não deixem oportunidades passarem por insegurança.

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