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Adamantina
segunda-feira, 16 março, 2026

Personagens folclóricos da história de Adamantina: “Edson Preto, o bailarino do Futebol”

Conteúdo assinado por Néio Souza Bom Junior

Quem o conheceu, vai lembrar-se de sua figura folclórica, carismática e divertida. Uma das pessoas mais carismáticas e conhecidas do futebol de várzea de Adamantina nos anos 60 era o Edson Preto.

Jogador rápido, forte, misturava samba com futebol e jogava bailando. Seu gingado com a bola era tão insinuante, que o adversário não sabia para que lado ele sairia, por onde sairia o drible.

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Mas o problema é que nem ele mesmo sabia e, via de regra, saia pela linha de fundo com bola e tudo. Era um caso raro de um jogador driblar a si mesmo.

Mas, muitas vezes, fazia jogadas inesperadas e geniais que encantava a todos que compareciam no campo aos domingos pela manhã. O palco preferido dele era o campo do Nissei, atrás da caixa d’agua, local de grandes jogos naquela época, que não tinha nenhum centímetro de grama, tomado por infinidade de buracos, guanxuma e carrapicho.

Os pés de mamona faziam as vezes de vestiários dos atletas nas laterais do campo. Mas não se podia misturar os times para não sair confusão antes mesmo do jogo começar. Um time se trocava debaixo dos pés de mamonas da direita do campo e outro nos pés de mamonas da esquerda.

Qual velha mesa de sinuca pensa e totalmente desajustada, o campo tinha um desnível considerável. Se colocasse a bola no meio de campo sem ninguém mexer ela… começava rolar sozinha. Se estivesse ventando, entraria no “gol de baixo” sem ninguém tocar nela.

Para começar o jogo, o capitão ganhava na moeda, escolhia o lado, estufava o peito e avisava o goleiro…” no primeiro tempo nóis vai chutá pra baxo “.

Aos domingos, Edson Preto desfilava seu gingado nesse maravilhoso palco, repleto de torcedores, abrigados do sol escaldante debaixo dos pés de mamona. Um detalhe: Edson Preto jogava descalço e todos os demais jogadores de chuteiras. Mas para ele não era um problema, já que tinha o costume de andar descalço pelas ruas e, naturalmente, criou “anticorpos” de proteção na sola dos pés (…em outras palavras, uma sola extra natural …).

Reza a lenda, que num dos jogos, ocorreu uma fortíssima dividida dele com um adversário, frente a frente, sola com sola. O resultado foi que a chuteira do adversário perdeu todos os cravos e Edson Preto saiu com a bola bailando.

Se é fato ou mito folclórico nunca saberemos, mas que Edson Preto ficou na história do Nissei, isso é fato, os mais antigos haverão de concordar. E ele deixou saudades, porque era uma pessoa espetacular, alegre, divertida e de bem com a vida, muito querido por todos.

E o campo do Nissei nunca mais foi o mesmo depois que Edson Preto encerrou a gloriosa carreira.

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