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Adamantina
segunda-feira, 2 março, 2026

Servidores da FAI realizam manifestação por plano de saúde e autonomia; autarquia e Prefeitura se posicionam

Categoria cobra posicionamento do Executivo, critica valor do ticket-alimentação e fala em paralisação caso demandas não avancem; FAI detalha reajuste e andamento do projeto do plano de saúde

Foto: João Vinícius Faustino/IMPACTO

Cerca de 60 servidores técnico-administrativos da FAI (Centro Universitário de Adamantina) realizaram, na manhã desta segunda-feira (2), uma manifestação no jardim do Campus I da instituição. A mobilização teve como principais pautas a implantação de plano de saúde, autonomia administrativa, revisão do ticket-alimentação e maior valorização da categoria.

Em nota encaminhada ao IMPACTO, a autarquia municipal afirmou que respeita a livre manifestação dos servidores, destacou que mantém diálogo aberto e explicou que o reajuste salarial aprovado foi de 4,5% – índice que cobre a inflação de 4,26% e garante 0,24% de ganho real – além do aumento do vale-alimentação para R$ 47,03 diários, valor que, segundo a instituição, é superior ao praticado pelo município. A Reitoria também detalhou o andamento do projeto do plano de saúde e informou que a proposta já foi protocolada junto à Prefeitura.

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Procurada, a Prefeitura de Adamantina confirmou que há reunião agendada para quarta-feira (4), a pedido dos servidores, para tratar das reivindicações. Segundo o Executivo, ainda não há deliberação sobre o plano de saúde.

Confira os posicionamentos na íntegra ao final deste conteúdo.

A MANIFESTAÇÃO

Com cartazes e palavras de ordem, os servidores apresentaram quatro reivindicações centrais: “Plano de Saúde – a principal exigência”, “Autonomia Já”, “Ticket Não É Esmola” e “Respeito aos Servidores da FAI”.

A manifestação foi organizada por Fabrício Lopes, membro do Conselho Universitário da FAI (mandato 2025-2027), eleito pelos servidores, ao lado de Rita de Cássia Siqueira, também representante eleita da categoria no Conselho, e do servidor Jean Moura. Segundo os organizadores, a adesão foi considerada positiva.

PLANO DE SAÚDE É PRINCIPAL PAUTA

De acordo com Lopes, o plano de saúde é uma reivindicação antiga da categoria e segue pendente de definição por parte do Executivo municipal.

“A pauta do plano de saúde é um pleito que a gente vem tentando que seja aprovado pelo Executivo há algum tempo, desde a época do Márcio Cardim [ex-prefeito de Adamantina]. Fica aquela rotina de ‘o que dá para a Prefeitura tem que dar para a FAI’. Mas nós somos independentes, temos caixa e administração próprios, precisamos ter autonomia”, afirmou.

Segundo ele, o assunto está nas mãos do prefeito José Carlos Martins Tiveron e será discutido em reunião marcada para quarta-feira, com a presença dos dois membros do Conselho Universitário, do reitor Alexandre Teixeira de Souza e do vice-reitor Wendel Cleber Soares, além do chefe de gabinete da Prefeitura, Wilson Alcântara.

“A gente quer saber: é sim ou não? Porque fica empurrando, engavetando. O plano não é obrigatório para todo funcionário, adere quem quiser. E é importante frisar que a despesa para contribuir com o plano sairia da economia gerada pelas placas solares instaladas na FAI”, explicou.

Lopes ainda afirmou que, caso não haja avanço, a categoria pode organizar paralisação e manifestação em frente à Prefeitura e à Câmara Municipal.

Foto: João Vinícius Faustino/IMPACTO

CRÍTICAS AO VALOR DO TICKET

Outro ponto que gerou insatisfação foi o reajuste do ticket-alimentação. Segundo os servidores, a FAI concedeu aumento de cerca de R$ 2, enquanto a Prefeitura reajustou o benefício em R$ 4,50.

“É uma vergonha dar dois reais. O ticket atinge só a folha dos funcionários técnico-administrativos, não é um custo absurdo. O reajuste da FAI nunca foi menor que da Prefeitura. Humanização é salário e benefício para servidor”, criticou Lopes.

Ele também apontou que, durante sessão da Câmara, não houve menção aos servidores da FAI. “Parece que só existem servidores da Prefeitura. Quando precisam da FAI para patrocínio, evento e colaboração, ela é necessária. Mas na hora de olhar com carinho para o funcionário, ninguém pensa”, disse.

AUTONOMIA ADMINISTRATIVA

A categoria também cobra maior autonomia administrativa para a instituição, argumentando que a FAI possui natureza e receitas diferentes da Prefeitura.

“A riqueza da FAI é diferente da riqueza da Prefeitura. A Prefeitura vive de impostos; a FAI vive de mensalidades e tem curso de Medicina. Então por que a FAI tem que ficar esperando a boa vontade da Prefeitura?”, questionou.

Segundo Lopes, há vereadores que defendem que a instituição “ande igual à Prefeitura”, posição que ele contesta. “São coisas completamente diferentes. Não tem que andar ladeado.”

Foto: João Vinícius Faustino/IMPACTO

AVALIAÇÃO DA MOBILIZAÇÃO

O membro do Conselho Universitário avaliou ainda a manifestação como positiva e destacou que os servidores não possuem sindicato próprio. “A adesão foi muito boa. Estamos nos mobilizando, informando os colegas e buscando coletividade. Não estamos pensando em CPF, mas no CNPJ da FAI e na proteção da instituição”, afirmou.

Ele também mencionou preocupação com a situação financeira apontada por relatórios da Controladoria Interna. “Onde tem que cortar não corta, e corta nos coitadinhos”, declarou.

Segundo ele, o objetivo da mobilização é demonstrar insatisfação sem confronto. “A gente não quer briga com ninguém. Só quer que olhem para nós com dignidade.”

COBRANÇA AOS VEREADORES

A principal cobrança direcionada à Câmara, segundo os organizadores, é que os parlamentares passem a considerar as demandas dos servidores da FAI. “A principal cobrança dos vereadores é olhar a FAI e os servidores com dignidade e valorização, apoiar o plano de saúde, reajustes melhores e um ticket pelo menos igual ao da Prefeitura, além de fiscalizar a FAI como deve ser fiscalizada”, disse.

Foto: João Vinícius Faustino/IMPACTO

POSICIONAMENTO DA FAI

Em nota enviada ao IMPACTO, a FAI declarou:

O Centro Universitário de Adamantina (FAI) respeita a manifestação e a livre expressão dos servidores, reafirmando que mantém o diálogo sempre aberto. A Instituição atua com total responsabilidade técnica e financeira, e apresenta abaixo o seu posicionamento oficial sobre as pautas levantadas:

  1. Reajuste Salarial e Vale-Alimentação

A Reitoria compreende o anseio dos servidores e reconhece o valor de cada trabalhador. O índice de 4,5% aprovado – que cobre a inflação de 4,26% e garante 0,24% de ganho real -, somado ao aumento do vale-alimentação para R$ 47,03 diários (valor superior ao praticado pelo município), representa o limite máximo permitido pela legislação neste momento.

É fundamental esclarecer que a FAI possui solidez financeira e mantém o compromisso de pagar salários e demais obrigações rigorosamente em dia.

No entanto, a concessão de um reajuste ainda maior depende do cumprimento de regras rígidas da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Para criar uma nova despesa contínua (como um aumento permanente acima do patamar já aprovado), a Instituição precisa atender a condições legais específicas previstas para esse tipo de ampliação de gasto.

Em 2025, a FAI manteve sua capacidade de investimento e direcionou aproximadamente R$ 7 milhões para melhorias essenciais — como obras de infraestrutura, adequações nos campi e aquisição de equipamentos. Esses recursos não representam gasto comum, mas investimentos que se transformam em patrimônio público, permanecendo de forma duradoura para a Instituição e para o uso diário de toda a comunidade acadêmica.

Por isso, neste momento, a Administração está legalmente limitada quanto à possibilidade de ampliar o reajuste para além do que já foi aprovado. Não se trata de escolha política ou falta de vontade, mas de cumprimento estrito da lei, que inclusive prevê responsabilização do gestor em caso de criação de despesa contínua sem o atendimento das condições exigidas.

Para viabilizar futuros avanços com segurança, a Administração já iniciou um plano de contenção de custos operacionais, com foco em preservar empregos, manter a qualidade dos serviços e proteger a renda das famílias que dependem da FAI.

  1. Plano de Saúde

A implantação do plano de saúde é um projeto estruturado e defendido pela atual Reitoria desde o seu primeiro dia de gestão, sendo uma pauta histórica de valorização que nunca havia sido tratada em gestões anteriores.

É importante destacar que em 2023 a Reitoria apresentou a proposta ao Poder Executivo pela primeira vez, mas não houve andamento por parte do poder executivo.

Em 2024, a reitoria reencaminhou o projeto ao poder Executivo que alegou que por ser ano eleitoral não poderia dar andamento. Na época, a Reitoria defendeu que o formato proposto não se tratava de “benefício gratuito”, e sim de uma contratação regular, com participação do servidor no custeio.

Em 2025 a Reitoria reencaminhou pela terceira vez o projeto ao Poder Executivo que solicitou uma série de documentos para estudar a proposta. Diante do exposto, a Reitoria respondeu e apresentou todos os documentos solicitados.

Sendo assim, é preciso deixar claro que a FAI já cumpriu integralmente o seu papel e fez tudo o que estava ao seu alcance técnico e administrativo para viabilizar o benefício. Todos os estudos financeiros, justificativas técnicas e as minutas dos Projetos de Lei já foram elaborados pela nossa gestão e protocolados oficialmente na Prefeitura de Adamantina em janeiro de 2026.

A partir desse momento, o projeto cumpre o rito natural exigido por lei, passando agora pela análise de viabilidade do Poder Executivo (Prefeitura) e posterior aprovação do Poder Legislativo (Câmara Municipal). A FAI acompanha o processo de perto e segue à inteira disposição destes poderes para contribuir tecnicamente no avanço deste benefício. (Conforme divulgado em: https://www.fai.com.br/novo-portal/blog/post/10347)

A Instituição reafirma seu compromisso com a valorização do serviço público, pautada pela prudência e pelo diálogo responsável”. 

NOTA DA PREFEITURA

Procurada pelo IMPACTO, a Prefeitura de Adamantina enviou a seguinte nota:

A Prefeitura informa que está agendada, para o dia 4 de março (quarta-feira), reunião solicitada pelos servidores técnico-administrativos da FAI.

Na ocasião, o Poder Executivo realizará a escuta das demandas apresentadas, com o objetivo de compreender os pleitos e avaliar os aspectos envolvidos.

Neste momento, não há qualquer deliberação ou definição sobre o tema [plano de saúde], que será tratado com responsabilidade, observando-se os aspectos administrativos, legais e orçamentários.

A Administração Municipal reafirma seu compromisso com o diálogo institucional e com a condução responsável das questões de interesse público.

CÂMARA MUNICIPAL

Até o fechamento desta matéria, a Câmara Municipal de Adamantina ainda não havia se posicionado oficialmente sobre as reivindicações apresentadas pelos servidores.

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