Artemis II – O retorno da humanidade à lua após 54 anos

Confira o conteúdo assinado pelo universitário Vitor Rafael Borges Filgueira

Hoje, 8 de abril, celebramos o Dia Mundial da Astronomia. É uma data para olharmos para cima e lembrarmos que somos parte de algo maior. Coincidentemente, este dia marca uma semana desde o lançamento da Artemis II, realizado em 1º de abril, quando os astronautas, a bordo do foguete SLS e da cápsula Orion, partiram em direção à Lua, um retorno após quase 54 anos, sendo o último com a Apollo 17, em 1972.

A missão Artemis está sendo realizada em etapas, com o objetivo de retomar a presença humana na Lua. O primeiro lançamento ocorreu em 2022, com a Artemis I, que testou o foguete e a cápsula sem tripulação. Na sequência, a Artemis II, com duração prevista de 10 dias, partiu no dia 1º de abril com quatro astronautas. A tripulação orbitou a Terra por dois dias antes de seguir em direção à Lua, em uma viagem que durou três dias. A aproximação teve início no dia 6 de abril, e o sobrevoo da Lua começou às 15h45, estendendo-se até cerca de 22h20. Apesar disso, não houve pouso lunar, porém foram capturadas imagens bastante impressionantes ao longo da missão.

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O próximo passo será a Artemis III, planejada para 2027, com o objetivo de testar o módulo lunar em órbita baixa. Já as tão aguardadas Artemis IV e V, em um cenário otimista, deverão avançar nas etapas seguintes, incluindo o tão esperado pouso na Lua a partir de 2028.

Agora, chega de apresentação, vamos ao que quero mostrar: algumas fotografias dessa expedição.

Aqui a vemos, a Terra, o terceiro planeta do Sistema Solar, reduzida a um simples contorno, lembrando uma Lua crescente. Não é um registro inédito, imagens semelhantes já foram feitas, muito provavelmente você já se esbarrou em alguma, mas, ainda assim, toda vez que me deparo com algo assim, me vem à mente o texto de Carl Sagan, “Pálido Ponto Azul”.

Nele, o autor faz uma breve reflexão a partir de uma fotografia capturada nas proximidades de Saturno, onde a Terra aparece como um pequeno ponto quase imperceptível.

“Olhem de novo para esse ponto. É aqui. É o nosso lar. Somos nós.

Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, “superastros”, “líderes supremos”, todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali — num grão de poeira suspenso num raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus frequentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes.Nossas atitudes, nossa pretensa importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, em meio a toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos.

A Terra é, até agora, o único mundo conhecido que abriga a vida. Não há nenhum outro lugar, ao menos em um futuro próximo, para onde nossa espécie possa migrar. Visitar, sim. Goste-se ou não, no momento a Terra é o nosso posto.

Tem-se dito que a astronomia é uma experiência que forma o caráter e ensina a humildade. Talvez não exista melhor comprovação da loucura das vaidades humanas do que essa distante imagem de nosso mundo minúsculo. Para mim, ela sublinha a responsabilidade de nos relacionarmos mais bondosamente uns com os outros e de preservarmos e amarmos o pálido ponto azul, o único lar que conhecemos.”

Preservar e amar o “pálido ponto azul” é um esforço coletivo, é com esse espírito de admiração e estudo que a ASAUM (Associação de Astronomia Unificada de Mariápolis) celebra este Dia Mundial da Astronomia. Convidamos todos a conhecerem nosso trabalho e a compartilharem conosco essa paixão pelo cosmos. Afinal, como as imagens da Artemis II nos mostram, estamos todos juntos nessa pequena e preciosa nave espacial chamada Terra.

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