Em 2020, vinculado ao curso de História, foi instituído o Projeto Nossa Gente, junto à Pró-Reitoria de Extensão do Centro Universitário de Adamantina/FAI. Era ano pandêmico e as aulas presenciais estavam suspensas. Reunimos um grupo de 20 pessoas, sendo universitários, egressos e membros da comunidade para um levantamento inédito sobre a formação demográfica das cidades que compõem a Nova Alta Paulista.
Com assessoria do egresso e historiador Victor Hugo Silva Souza, foram manuseados cerca de 12 mil documentos online, por meio da plataforma FamilySearch, acessando os primeiros livros de registro civil, após a emancipação dos municípios que compõem a Nova Alta Paulista. Buscávamos identificar as primeiras pessoas registradas nos referidos livros, considerando que, com elas, inaugura-se o gentílico de cada lugar, uma vez que seus pais vieram de outras localidades e não temos registros de indígenas sistematicamente documentados nesses municípios.
É voz corrente, no senso comum, que há forte influência da etnia italiana na formação demográfica regional. Os documentos trouxeram surpresas e revelações. Com exceção de Bastos, colonizada por japoneses, constatou-se que a maior parte dos pais veio de outras localidades do estado de São Paulo, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Minas Gerais. Nossa formação demográfica, portanto, decorre majoritariamente de migrações internas ocorridas nas décadas medianas do século XX. Em menor número tivemos suíços, árabes, russos, alemães e outras nacionalidades, cuja presença espalha-se entre as cidades.
Diferente das migrações nordestinas para o Sudeste, motivadas pela urbano-industrialização, as migrações para a atual Nova Alta Paulista tiveram outras características. Descendentes de italianos e espanhóis, em maior número, vieram de regiões cafeicultoras da chamada Zona Velha, localizada na porção central e norte do estado de São Paulo, sendo pequeno o número de imigrantes que vieram diretamente para o extremo oeste paulista. Entre migrantes e imigrantes, os mais abastados compraram glebas maiores e as lotearam para venda a ex-colonos que, aqui, tornaram-se pequenos agricultores. Uma consequência direta desse processo é a estrutura fundiária dos municípios, com predomínio de pequenas e médias propriedades rurais. Observam-se italianidades, porém não a presença expressiva de imigrantes dessa etnia.
Uma parcela de mineiros e nordestinos saiu de suas regiões de origem para trabalhar no serviço bruto das derrubadas e na construção das ferrovias. Findo o trabalho na chamada região Noroeste, muitos rumaram para a Paulista, onde havia a promessa de novas frentes de trabalho.
Fugindo das intempéries climáticas, especialmente da seca, muitos vieram para o interior de São Paulo, na chamada migração rural-rural, pois saíam de uma região agrícola para outra com a mesma característica, atraídos pela cultura de algodão ou de café. Esse movimento tem forte influência da era Vargas, quando foi assinado o Decreto-Lei nº 1.381/1934, também chamado de Lei dos 2/3, que exigia a contratação de 2/3 de trabalhadores brasileiros, restringindo a imigração. Esse fato provocou intenso fluxo migratório tanto para as capitais do Sudeste quanto para o interior.
A presença nordestina e mineira nas nossas cidades é bastante expressiva. Em Pauliceia, mais de 70% dos assentados no 1º livro de registro civil são filhos de nordestinos e mineiros.
Essas informações identitárias são ainda pouco conhecidas e pouco exploradas. Elas podem subsidiar estudos focados em políticas públicas que considerem costumes, culinária, saúde e outras temáticas de interesse local.

Prof.ª dr.ª Izabel Castanha Gil
Centro Universitário de Adamantina/FAI
Coordenadora da CPL do Jatobá






