Vamos, Angélica
Enlace teu braço ao meu
E eu enlaço meu coração ao teu
Caminhemos juntos
Por esses bosques e selvas,
Campos, colinas, montanhas e vales
Cruzemos ruas, rios, cidades, desertos e pântanos
A passos firmes
Inabaláveis às incongruências desta vida
Devaneada, miserável e fascinante dos homens
Dançaremos ao sol
Falaremos das coisas do mundo
Plenificaremos nossos corações de vida e amor
Gozemos as fragrâncias das murtas e damas da noite
As borboletas em adejo
As flores ao vento e os louva-deus
Em lúdico balé adornarão nosso caminho
Os pássaros trinarão
As serpentes brandirão seus guizos
Os lobos em uivos e o vento nas copas
Em harmônico concerto nos louvarão
O sol nos aquecerá
Traspassando as translúcidas copas
Em mosaico de brilhantes gotas bailarinas
Seremos lúcidos
Será uma gloriosa jornada
De risos, lágrimas e exaltação
Nossos rastros e falas se perpetuarão
Mas se te cansares
Angelica, não sofras
Deixar-te-ei junto aos Anjos
E prosseguirei só
Com tudo que me ensinares
Com a coragem que me impingires
Mas sem fragrâncias, concertos nem adornos
Os lobos me acuarão
O sol marcará minha pele
Os espinhos ferirão minha carne
E as serpentes brandirão seus guizos em ameaça
Também cansar-me-ei de ficar sem ti
Então, encontrar-te-ei em meio aos Anjos, Angélica













