O Museu e Arquivo Histórico de Adamantina Setsu Onishi, inaugurado em junho de 2024 na administração de Marcio Cardim e tendo Sergio Vanderlei à frente da Secretaria de Cultura e Turismo foi um grande presente para a cidade que pôde colocar o seu arquivo num significativo prédio ligado à colônia japonesa e doado por ela.
Agora, a proposta da atual secretária Ana Queila Zanardo e da diretora do Museu, Gislaine Targa é transforma-lo em uma instituição dinâmica, viva e com intensa programação cultural.
As palestras, exposições paralelas e, mais recentemente, a programação da Semana do Museu, que contou com oficinas culturais e educativas, apresentações musicais e homenagens, deixam claro a vontade política e a necessidade dos voluntários em compartilharem mais e melhor a história da cidade e da região.
Os “Amigos do Museu”, coordenado por Gislaine e do qual faço parte, vem demonstrando em suas conversas e debates o quanto essas pessoas querem relembrar, pesquisar e comunicar a história de nossa cidade.
Esse grupo (democrático e aberto aos interessados) é composto por professores e funcionários públicos aposentados ou em plena atividade, jovens estudantes, doutorandos e mestrando em história, artistas plásticos ligados a diversas áreas, esportistas, jornalistas, enfim, uma comunidade que está se formando e fazendo acontecer. Um momento que promete ser de muita riqueza para nossa história e nossa cultura. Até porque, muito ainda tem que ser relembrado, questionado e contado.
Interessante também os debates que começam a surgir entre os membros, principalmente entre os que estudaram mais a fundo a história do município, desde sua formação. O aniversário da cidade é uma delas. A data que se comemora é no dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, escolhido como seu santo padroeiro. No entanto, a data real da emancipação político-administrativa é o dia dois de abril. Algo bastante interessante a ser discutido e talvez revisto.
Outra questão levantada foi a respeito da origem do nome Adamantina. Naquela época, os municípios que ocupavam a linha da estrada de ferro da paulista, vinham sendo batizados em ordem alfabética. Nossa região era mesmo a reta final. Já havia Tupã, Universo e Lucélia, cujo nome era Zona da Mata. Portanto era o momento de se retornar à letra A. Reza a lenda que um dos engenheiros/diretores da CAIC (empresa responsável pelos desmatamentos e abertura das glebas) tinha uma “mulher, namorada, amada ou amante” de nome Ada. E em homenagem a ela criou-se o nome Ada Amante = Adamantina. Alguém sugeriu, ele gostou e o nome emplacou. Mas não existe comprovações concretas de que Ada realmente existiu. A não ser na memória e no relato de nossos moradores da época.
Conversando com José Mario Tofoli, jornalista e pioneiro em nossa cidade, ele pontuou com aquele bom humor que lhe é peculiar: “não há e não haverá comprovações porque amante não se revela. Se esconde”. Portanto, fica a lenda.
E as lendas também fazem parte do imaginário, das memórias de infância, da experiência daqueles que viveram e passaram aqui. Por isso, entrando nessa onda de “volta às origens”, eu e o professor Rubens Galdino estaremos à frente de um programa e podcast na Radio Life FM e que vai ao ar também pelo YouTube, que é o “Entre Trilhos e Memórias”. A ideia é entrevistar adamantinenses que tenha fatos curiosos para contar e relembrar, nos ajudando na construção de nossa memória e de nossa história.
No nosso primeiro episódio conversamos com José Mario Tofoli que nos contou a origem do bordão “Cidade Joia”. Segundo ele não há relação alguma com a questão do diamante que o nome da cidade parece lembrar, mas se refere a uma fala de seu pai, Francisco Dario Tofoli, num banquete histórico, regado a champanhe, oferecido pelo prefeito da época aos diretores da Companhia Paulista de Estrada de Ferro. A ideia era convencê-los a trazer os trilhos até aqui, transformando a cidade na parada final da Paulista. O Sr. Tofoli, ao perceber a aceno positivo dos executivos, se empolgou e disparou: “Com a chegada dos trens, Adamantina será a nova joia da Alta Paulista”. O bordão colou e a partir daí Adamantina passou a ser também a Cidade Joia.
São essas e outras histórias que passam a ser contadas e recontadas a partir de agora sob o incentivo do Museu, permitindo aos apaixonados pela cidade, deixar um legado aos que aqui chegam e aos que continuam a trabalhar por um município cada vez melhor, visando sempre o respeito ao passado, às atividades do presente e a um futuro sempre próspero e acolhedor.
Marcia Molina Fonseca é adamantinense, jornalista, filha e neta de pioneiros e apaixonada pela história da cidade, da sua geração e das gerações anteriores.

















