Coelho Neto encerra um de seus poemas em homenagem às mães afirmando que “ser mãe é padecer no paraíso”.
Desde a primeira leitura que fiz desse texto, tenho buscando entender o que o escritor quis dizer com essa frase aparentemente enigmática sobre a mulher no exercício nobre da maternidade.
Não se ignora o delicado papel da mãe, desde o momento da concepção, quando se descobre grávida, passando pelo processo da gestação, com todas as fases e cuidados peculiares, até o instante sublime do parto, quando dá a conhecer ao mundo o “fruto do seu ventre”.
À sua volta gravitam fatores envolvendo condições econômicas, formação cultural e, até mesmo, o contexto social no qual o núcleo familiar está inserido.
O suporte afetivo, emocional, amoroso, incluindo o espiritual, ajuda muito a mulher em sua condição de mãe ao longo dos dias, meses e anos que seguem, nos quais acompanhará de perto e com a alma exposta, o crescimento e evolução do ser gerado em suas entranhas.
Embora suscetível às nuances interiores e exteriores da vida, nada — por mais negativa que seja a circunstância — ofuscará o brilho de seus olhos e a chama de amor a irradiar do seu coração.
Ama e continuará amando incondicionalmente, por toda eternidade, aquela criança que jamais deixará de ser seu/sua bebê para todo sempre, e cuja existência lhe traz alegria e felicidade suficientes para suplantar as dores sentidas desde o parto e que a acompanharão vida afora, no trabalho, no cuidado constante, nas noites de insônia, no eterno padecer/gozar que não lhe roubam o ânimo de fazer tudo de novo se preciso for.
Talvez essa profusão de sentimentos, a agitar a existência materna, seja o que o poeta traduz por “padecer no paraíso” — um sofrimento bom, um sacrifício prazeroso, demasiado pequenos diante da imensa felicidade que o ser amado lhe proporciona.
O paraíso, neste caso, é um Céu à parte, muito particular mesmo, que somente as mães conhecem, sabem onde fica e têm acesso a ele pelo caminho fantástico e milagroso da maternidade.
A todas as mães, um feliz segundo domingo de maio — Dias das Mães!
















