Soluções baseadas na natureza (SbN) também em pequenas cidades

Confira o conteúdo assinado pela professora Izabel Castanha Gil

Trazer a temática ambiental para o centro dos debates, por mais elementares que eles sejam, deixou de ser assunto acadêmico ou de pessoas com sensibilidade ambiental. As emergências climáticas bateram na nossa porta e ameaçam a saúde, o patrimônio pessoal, a economia, a organização produtiva no campo, a vida nas cidades, enfim, a nossa própria sobrevivência.

Medidas mitigadoras tornaram-se preocupação de pesquisadores, empresários, agricultores, gestores públicos, donas de casa, todos nós. Estão na pauta tudo o que se pode evitar de desperdícios, aproveitamento responsável dos recursos naturais, sistemas produtivos equilibrados, cidades inteligentes, construções que permitem melhor aproveitamento da iluminação e da ventilação, energias limpas, captação da água de chuva, reciclagens de várias naturezas. E, claro, o plantio de árvores.

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A partir das décadas medianas do século XX, a vida moderna nos proporcionou praticidades nunca antes imaginadas. Por outro lado, essas soluções empacotadas fizeram com que perdêssemos habilidades básicas, que garantiram a perpetuação da humanidade.

Os desafios impostos pelas emergências climáticas revelam que a capacidade de adaptação se torna menos difícil para quem ainda mantém certas habilidades. Entre elas, produzir alimentos no próprio quintal, proteger o solo com dejetos vegetais, guardar água de chuva, manter o solo coberto com camadas humíferas para evitar a lixiviação provocada pela enxurrada, manter os bueiros limpos, evitar que o lixo chegue até os córregos, cuidar das áreas verdes, não acumular entulhos, desmontar criadouros de larvas, entre outras medidas que qualquer pessoa pode e deve praticar.

Entre os engenheiros, arquitetos e planejadores urbanos, alguns conceitos vêm ganhando força, tendendo a se espalharem também para cidades de pequeno porte. Tratam-se das chamadas soluções baseadas na natureza (SbN). De acordo com o site https://sites.usp.br/gipsbn/solucoes-baseadas-na-natureza/, trata-se de uma definição de bioengenharia, “que contempla ampla variedade de abordagens relacionadas aos ecossistemas e busca dar subsídios para questões e desafios socioambientais”. Explica que “constituem um termo guarda-chuva criado pela União Europeia, que contempla soluções de engenharia adaptados aos processos naturais. Engloba conceitos de Infraestruturas Verdes (IEV), Técnicas Compensatórias (TC), Desenvolvimento de Baixo Impacto (ID), Melhores Práticas de manejo (BMP) e outros”.

Entre as soluções urbanas decorrentes do conceito de SbN, o site cita os “sistemas de biorretenção  (jardins de chuva), que interceptam escoamentos superficiais, promovem a melhoria da qualidade da água, redução dos escoamentos superficiais, aumento dos serviços ecossistêmicos; os tetos verdes, que reduzem o calor das edificações, contribuem na redução do escoamento superficial pela interceptação da chuva; os parques urbanos que contribuem na melhora do microclima local, provêm espaços de lazer e amenidades; as lagoas urbanas que armazenam água; os espelhos d´água; a vegetação nativa, entre outras”.

Os desafios do nosso tempo exigem adequações nos programas dos cursos que atuam diretamente com a temática ambiental; atualização também nos currículos da educação básica, resgatando habilidades ancestrais; requalificação de quem atua na área da construção civil e afins; reconfiguração do planejamento urbano, com inserção do conceito de SbN nas políticas públicas; equipagem dos órgãos de extensão rural para a multiplicação e valorização de práticas resilientes, entre outras medidas. As SbN, com uso ainda fragmentados e desiguais, devem ser disseminadas e fortalecidas, tornando-se parâmetro, hábito e técnica em todas as instâncias da sociedade.

Prof.ª dr.ª Izabel Castanha Gil

  • Centro Universitário de Adamantina/FAI
  • Coordenadora da CPL do Jatobá
  • [email protected]

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