Operação do Gaeco contra desvios na Câmara de Catanduva cumpre mandados em Adamantina

Ação investiga esquema de lavagem de dinheiro que teria desviado ao menos R$ 10 milhões; grupo criou mais de 60 empresas de fachada

GAECO deflagra Operação Rei do Pix contra esquema milionário na Câmara de Catanduva na manhã desta terça-feira (2) | Foto: Reprodução/CR News

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Militar cumpriram mandados de busca e apreensão em Adamantina na manhã desta terça-feira (2). A diligência integra a Operação “Rei do Pix”, que visa desarticular um esquema responsável pelo desvio reiterado de ao menos R$ 10 milhões da Câmara Municipal de Catanduva (SP).

Nas primeiras horas da manhã, uma intensa movimentação de viaturas chamou a atenção no município. A ação local contou com o sobrevoo do helicóptero Águia e apoio de equipes do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), da Polícia Civil e da Receita Federal. O Ministério Público mantém os detalhes locais sob sigilo.

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Deflagrada de forma simultânea, a operação cumpre no total dez mandados de prisão e mais de 50 de busca e apreensão. Além de Adamantina e Catanduva, onde a própria sede do Legislativo foi alvo de buscas, os mandados ocorrem em Bauru, Jaboticabal e São Paulo. Durante as diligências desta terça-feira (2), as autoridades apreenderam veículos automotores e valores em espécie.

A operação mobiliza 20 promotores de Justiça, 30 servidores do Ministério Público, 11 agentes da Receita Federal e mais de 200 policiais militares. Três equipes da Polícia Civil também prestaram apoio no cumprimento de mandados na capital paulista.

MAIS DE 60 EMPRESAS DE FACHADA

As investigações do Ministério Público apontam que, entre 2023 e 2024, o grupo criminoso constituiu mais de 60 empresas de fachada em nome de amigos e parentes. O objetivo era simular a prestação de serviços à Câmara de Catanduva por meio de notas frias. Após o recebimento dos recursos públicos, as pessoas jurídicas devolviam entre 90% e 95% dos valores aos integrantes do esquema criminoso.

A apuração também identificou fraudes em licitações e contratações superfaturadas, utilizadas para viabilizar repasses ilícitos de até 30% dos valores pagos pelo Poder Legislativo. Nos anos seguintes, o grupo continuou realizando manobras para dissimular a origem do dinheiro, o que configura crime de lavagem de capitais.

Para garantir a reparação dos danos causados aos cofres públicos, a 1ª Vara Criminal de Catanduva determinou a indisponibilidade de bens dos investigados. Para os agentes com maior nível de envolvimento no esquema, os bloqueios determinados pela Justiça chegam a até R$ 20 milhões.

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