O comércio é o principal pilar da economia de Adamantina, representando 63% do PIB municipal e sendo o maior gerador de empregos formais, com cerca de 70% dos postos de trabalho. No entanto, o setor enfrenta um desafio significativo neste ano: os feriados prolongados, que podem comprometer o desempenho financeiro dos lojistas e impactar a arrecadação municipal. Segundo estudo da Fecomércio-SP, apenas no estado de São Paulo, as perdas projetadas para o comércio em 2026 devido aos feriados prolongados ultrapassam R$ 17 bilhões, evidenciando os danos que a diminuição do consumo pode causar ao setor. Em Adamantina, a situação é ainda mais delicada, já que a economia do município é fortemente dependente do consumo local e do fluxo constante de clientes em dias úteis.
O problema central para os lojistas é a evasão de consumidores durante os feriados prolongados, um fenômeno que ocorre especialmente em cidades não turísticas. Com sete feriados caindo em segundas ou sextas-feiras no próximo ano, muitos moradores de Adamantina devem aproveitar esses períodos para viajar, direcionando seu consumo para outras localidades. Essa “fuga” gera uma queda expressiva no movimento das lojas, impactando principalmente os pequenos comerciantes, que já enfrentam margens de lucro reduzidas e altos custos operacionais. Além disso, há a dificuldade de manter as lojas abertas nesses períodos, devido à necessidade de pagamento de adicional trabalhista aos funcionários, o que muitas vezes inviabiliza economicamente a operação. São comuns, nesses casos, o fechamento parcial ou total das atividades comerciais, comprometendo ainda mais as receitas do setor.
Os números da Fecomércio apontam que setores como supermercados, farmácias e lojas de vestuário são os mais afetados, pois dependem diretamente da circulação de consumidores. Para pequenos lojistas de Adamantina, que frequentemente não possuem estrutura para investir em estratégias digitais ou alternativas mais competitivas, os feriados podem significar perdas irreversíveis. Como consequência, além do impacto direto nos rendimentos empresariais, a arrecadação tributária do município também sofre, prejudicando os cofres públicos e limitando os recursos disponíveis para investimentos na infraestrutura local.
Diante desse cenário desafiador, torna-se urgente a ação do poder público municipal, em parceria com os empresários locais. A administração pública tem o papel fundamental de articular estratégias para minimizar o impacto dos feriados prolongados e evitar a evasão de receitas. Entre as ações que podem ser promovidas, destacam-se a criação de eventos públicos e culturais durante os feriados, como feiras gastronômicas e festivais, atraindo a população e incentivando o consumo local. Essas iniciativas, além de movimentarem o comércio, geram um ambiente mais atrativo para manter as famílias na cidade.
Outra medida importante é a implementação de campanhas de conscientização para valorizar o comércio local, destacando como o consumo dentro da cidade fortalece a economia de Adamantina e beneficia diretamente a própria comunidade. O município também pode atuar oferecendo incentivos fiscais temporários aos comerciantes durante os períodos críticos, como a redução de taxas ou subsídios pontuais, ajudando os lojistas a manterem suas atividades rentáveis.
Apesar da crescente participação do agronegócio, Adamantina tem no comércio sua principal força econômica, mas a preservação desse setor depende de ações concretas e coordenadas entre o poder público e os empresários. Os feriados prolongados representam um alerta: sem planejamento e ações inclusivas, os lojistas podem enfrentar prejuízos irreversíveis. É fundamental que todos – administração pública, comerciantes e a população em geral – trabalhem juntos para fortalecer a economia local. A valorização do comércio de Adamantina é o caminho para garantir desenvolvimento e segurança econômica para toda a comunidade. O tempo para agir é agora.









