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Adamantina
domingo, 25 janeiro, 2026

Situação do CIS escancara a falta de políticas públicas permanentes

Confira o editorial do IMPACTO sobre a situação do Centro Integrado de Saúde, em Adamantina

Prédio do CIS
CIS (Centro Integrado de Saúde), em Adamantina | Foto: Gustavo Amaral/IMPACTO

A desativação provisória do CIS (Centro Integrado de Saúde), em Adamantina, mais do que um problema estrutural, expõe uma fragilidade histórica na forma como o poder público planeja, executa e mantém políticas públicas de saúde. Fissuras, trincas, rebaixamentos de piso e falhas no sistema de esgotamento sanitário são apenas os sintomas visíveis de um problema muito mais profundo.

Inaugurado em dezembro de 2019, o CIS ocupa um prédio cuja trajetória já é marcada por atrasos, indefinições e desperdício. A obra teve início ainda em 2011, com previsão de entrega para 2012, mas só foi concluída em 2017. Pensado originalmente para abrigar uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), o projeto fracassou por falta de pactuação com municípios vizinhos e pela incapacidade financeira de Adamantina em arcar sozinha com um custo mensal estimado em R$ 500 mil. O resultado foi um imóvel caro, “pronto” e vazio, que passou anos se deteriorando.

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A saída encontrada – transformar a UPA em policlínica após autorização federal – foi, sem dúvida, uma solução necessária. Com recursos próprios e até mão de obra do sistema prisional, o município deu nova função ao prédio e garantiu atendimento à população, especialmente em um momento crítico como o pós-pandemia. O CIS cumpriu, e ainda cumpre, um papel relevante na rede municipal de saúde.

No entanto, o cenário atual revela que improvisar não é o mesmo que planejar. A necessidade de investir agora mais de R$ 750 mil em reformas estruturais levanta questionamentos inevitáveis: houve fiscalização adequada na construção original? Houve manutenção preventiva ao longo dos anos? Houve planejamento de longo prazo para garantir que o prédio suportasse a demanda crescente? E principalmente: será que o planejamento agora ocorre para que o problema não volte a acontecer?

A redistribuição dos serviços para cinco endereços diferentes, ainda que necessária, penaliza usuários e profissionais, fragmenta atendimentos e aumenta custos operacionais. Mais uma vez, a população paga a conta da ausência de políticas públicas permanentes, que transcendam gestões e decisões pontuais.

O caso do CIS não é isolado, tampouco exclusivo de Adamantina. Ele simboliza uma lógica recorrente na administração pública brasileira: obras que não dialogam com a realidade financeira, projetos sem garantia de custeio, soluções emergenciais que se tornam permanentes e a falta de uma visão estratégica para a saúde.

Mais do que reformar um prédio, é preciso reconstruir a forma de pensar políticas públicas. Planejamento técnico, fiscalização rigorosa, manutenção contínua e compromisso com o longo prazo não são opcionais: são essenciais para evitar que equipamentos públicos se transformem, repetidamente, em problemas anunciados.

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