Que delícia: férias! Sempre foi essa a sensação. Na infância, na adolescência, na juventude. E a gente continua nesse embalo depois que os filhos nascem… será? Já não tenho tanta certeza. Principalmente nos tempos atuais, em que as opções aumentaram e as dificuldades se multiplicaram.
É muito bom sair com a molecada. A gente brinca, corre, nada, se diverte e… dependendo do local escolhido, a gente trabalha — e trabalha muito. Afinal, crianças precisam comer na hora certa, dormir mais ou menos na hora certa. A casa ou o local de hospedagem também não podem ficar bagunçados, então lá vamos nós cuidar da limpeza… e, de vez em quando, curtir um restaurante com as crianças correndo de um lado para o outro e deixando garçons enlouquecidos. Mas enfim, faz parte.
Todavia, nada disso se compara às dificuldades que enfrentamos na locomoção e na falta de infraestrutura para praticamente qualquer destino turístico — seja praia, parques, estância termal, montanha ou cidades históricas.
Eu e minha família acabamos de voltar, não sem surpresa, da cidade termal de Olímpia, SP. Surpresa pelo afluxo imenso de pessoas, de todas as regiões, idades e classes sociais, para um município pouco maior que a nossa Adamantina. Em outra oportunidade, passamos alguns dias no litoral norte do estado, na Riviera de São Lourenço; ficamos também um tempo na capital, com enorme variedade de shows, teatros, cinemas e gastronomia. Sem esquecer que estivemos, pouco antes das férias, em Espírito Santo do Pinhal — novo eixo turístico paulista, na divisa com Minas. Reduto vinícola e cafeeiro de grife, produtor de azeites e de queijos tradicionais das Alterosas. E, há um ano, fomos ao litoral do Paraná — Matinhos e Caiobá — passando antes por Morretes e Antonina, cidades históricas paranaenses muito interessantes.
Destinos deliciosos, todos muito recomendáveis. Mas todos eles prejudicados pela precariedade das estradas, fruto dos baixíssimos investimentos estatais (governos se preocupam em pedagiá-las, mas não em ampliá-las.) e pela inexistência completa de ferrovias, vergonha nacional.
Para exemplificar, não precisamos ir longe. A Rodovia Assis Chateaubriand, que liga Presidente Prudente a São José do Rio Preto, é o mais claro exemplo de descaso com a população do interior paulista. Duas cidades-modelo de crescimento e desenvolvimento, interligadas por uma pista simples em praticamente todo o seu longo trecho. Sem terceira faixa, às vezes sem acostamento, e repleta de caminhões responsáveis por transportar a produção agrícola e comercial-industrial pelo interior do estado. Dirigir por essa rodovia, para um motorista comum, é sempre um ato de sobrevivência. Só rezando… e muito. Sem contar os limites de velocidade que, “do nada”, caem de 100 para 60 km/h. E tome multa — para encher os cofres do governo, sem o retorno necessário.
A nossa Comandante João Ribeiro de Barros também passou por reformas há alguns anos, mas nada de duplicação entre Parapuã e Irapuru. Não dá para entender…
E se falarmos das rodovias que ligam grandes cidades interestaduais, a vergonha é ainda maior. Entre Presidente Prudente e Maringá, por exemplo, há alguma conservação no trecho paulista; mas basta cruzar a fronteira para encontrarmos uma malha asfáltica esburacada, com baixa manutenção e completo descaso. O mesmo acontece no deslocamento pelo interior do Paraná. Se reclamamos de São Paulo, reconhecemos que o motorista paranaense é, antes de tudo, um forte — anos-luz atrás do nosso estado.
E aí pergunto: onde estão nossos representantes? Eles não se locomovem pelas nossas estradas? Os grandes centros elegem seus deputados, estaduais e federais, que passam a ter um compromisso de honra com seus eleitores. Já passou da hora de se preocuparem com nossas estradas e com o deslocamento seguro das famílias e dos profissionais do transporte.
Estamos em ano de eleições: momento perfeito para cobrar, de forma séria, maiores e melhores investimentos também nesse quesito. Como diz a música: “A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte.” E eu complemento: a gente quer saúde e infraestrutura decente em todas as áreas — inclusive nas estradas.
As cidades paulistas, enquanto núcleos turísticos, têm feito seu trabalho. Investem de forma profissional, como acontece com Olímpia, Pinhal, Campos do Jordão, Barretos e sua Festa do Peão, entre tantas outras. Mas será que é preciso passar por tantos perigos para chegar ao destino das férias e, principalmente, para retornar às nossas casas?
Viver perigosamente é uma delícia nos filmes de ação que assistimos com a criançada durante as férias. Mas, na vida real, queremos diversão, arte e, acima de tudo, segurança e conforto nas estradas. Só assim as belas memórias serão realmente construídas — e durarão para sempre. Aí sim: as férias valerão a pena.
Marcia Molina Fonseca é jornalista, professora universitária e adamantinense. Fazer turismo dentro e fora do Brasil sempre foi uma paixão dela e da família.









