Há um mês tivemos o presidente de um país preso sob ataque de um outro país, levado para este outro para julgamento segundo leis deste outro país. Há alguns anos, em ataque militar, o líder de um país invadiu outro pra anexá-lo ao seu. Há uns dois anos iniciou-se uma guerra entre um estado e um grupo que nem estado é. Guerra não declarada. Não se declara guerra formal a um ente juridicamente inexistente. Múltiplas guerras tribais pelo mundo, confrontos entre confrades, e outras mais onde se morrem pessoas, mas não são oficializadas como conflito armado. Guerras, invasões, resistências. Mortes, ódio, fome, miséria, sofrimento. Sei que as razões são, em última análise, sempre de ordem econômica. Percebo que os poderosos utilizam sempre argumentos insustentáveis para exercer suas opressões, e, paradoxalmente, até a própria guerra como forma de promover a paz. O apogeu do cinismo. Fico aqui no meu inocente pensar: porque não se entendem. Cada país tem suas riquezas. Negociem-se. Não falo em escambo. Sei que estamos em outra era. Aí ouço dos sábios: é a natureza humana. Belicosa, rancorosa, ambiciosa, revanchista, vingativa. Este argumento deixa-nos estupefatos a perguntar: “Como surgiu tão miserável espécie”. Esta mesma espécie, nós mesmos, somos dotados de inteligência. Esta singularidade, que todos desejamos ter no maior grau, pode ser utilizada para quaisquer fins: nobre, nem tanto, desprezíveis, maus, atrocidades. Mas, há outra, talvez ainda não bem qualificada pelas nossas ciências afins, ou talvez um sutil sentido a ser desenvolvido: a Consciência. Uma mente sã tem Consciência. Ou talvez nem precise ser tão sã considerando que a própria Consciência, exercitada, pode pô-la sã. Não quero identifica-la, a Consciência, com o chamado livre arbítrio, algo distinto, talvez criado para salvaguardar o Deus bíblico das imperfeições de suas criaturas, como fizeram os discípulos de Platão imaginando quantidades de sistemas da geometria celeste tentando “salvar as aparências” do sistema ensinado pelo sábio mestre. Falo da consciência aberta a alargamento, aprofundamento, expansão. É a esta que devemos cultivar. Cultivo despido de hipocrisia. É assim que percebo essas coisas. Dinheiro, poder, disputa e ódio movem o mundo. Então devem ser coisas essas maravilhosas pois quem as tem vivem para mais ter e quem não as tem vivem para obtê-las. Confesso que sou um fracassado. Não tenho o mínimo talento para nenhuma delas. Devo ser tido por um néscio. Minhas maravilhas, meus fascínios, são coisas tão singelas: cuidar das poucas plantas que cabem em meu quintal; sentir o acariciar da brisa em meu corpo; a força de uma pequena semente a romper o solo e germinar; os deleitosos acordes e concertos proporcionados pela incrível sonoridade dos pássaros; meus pés nus a colher a energia da Mãe Terra…
E, nos momentos cerimoniais, fazer subir a sagrada fumaça de meu Cachimbo da Paz.






