24.6 C
Adamantina
terça-feira, 3 fevereiro, 2026

Após nota no Enamed, novo coordenador de Medicina da FAI fala sobre desafios e ampliação do internato em Adamantina

Médico adamantinense Dr. Alessandro Jacinto assume coordenação do curso e detalha ações para consolidar hospital escola, ampliar formação prática e fortalecer desempenho em avaliação nacional

Dr. Alessandro Jacinto assume coordenador do curso de Medicina da FAI | Foto: João Vinícius Faustino/IMPACTO

O curso de Medicina da FAI (Centro Universitário de Adamantina) completa uma década de existência enfrentando um dos momentos mais decisivos de sua trajetória. Considerado um curso ainda jovem, a graduação vive uma fase de reestruturação e consolidação, marcada por dois grandes desafios: a ampliação do internato médico no município e a necessidade de melhorar o desempenho dos alunos no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica).

À frente desse novo ciclo está o médico adamantinense Dr. Alessandro Jacinto, que assume a coordenação do curso em um momento de forte exposição pública e debate sobre a qualidade da formação médica no país. Em entrevista ao IMPACTO, o novo coordenador falou sobre as motivações para aceitar o cargo, esclareceu pontos relacionados ao Enamed, detalhou os investimentos no internato em Adamantina e reforçou a importância da FAI para o desenvolvimento da cidade e da região.

- Publicidade -

ENAMED: NOTA GERA REPERCUSSÃO, MAS NÃO IMPLICA PENALIDADES

A divulgação dos resultados da primeira edição do Enamed, no último dia 19, pelo MEC (Ministério da Educação), trouxe repercussão nacional ao apontar que 107 dos 351 cursos avaliados ficaram com notas 1 ou 2 e poderão sofrer sanções. A FAI apareceu em listagens divulgadas por veículos nacionais, o que gerou preocupação entre alunos, familiares e a população.

Segundo o novo coordenador, no entanto, não há qualquer penalidade aplicada ao curso, avaliado com nota 1, pelo Enamed. “A FAI não é regida pelo MEC, mas sim pelo Conselho Estadual de Educação de São Paulo. Portanto, não há sanções ou penalidades. A avaliação do Conselho Estadual foi excelente: o curso obteve nota 4,05, classificada como faixa de excelência, com reconhecimento renovado pelo prazo máximo de cinco anos”, esclareceu.

Ele reforça que o resultado do Enamed não reflete problemas estruturais ou deficiência do corpo docente. “Essa nota não tem relação alguma com a estrutura física da FAI ou com o corpo docente. Nossa estrutura é plenamente capaz de formar bons médicos, e nossos professores são altamente qualificados, com mestrado, doutorado e especializações, todos aprovados em processos seletivos rigorosos”, garantiu.

MEDIDAS PARA MELHORAR O DESEMPENHO NO ENAMED

Apesar de minimizar impactos regulatórios, o coordenador reconhece que o resultado acende um alerta pedagógico. Entre as ações adotadas, estão mudanças nas avaliações internas e maior preparo dos alunos para o formato do exame.

“A partir deste ano, várias avaliações internas já serão aplicadas no molde do Enade [Exame Nacional de Desempenho de Estudantes] e do Enamed. Provas integradoras, avaliações do internato e outras atividades passam a seguir esse padrão, para que o aluno se familiarize com o tipo de questão”, explicou.

Outra novidade é a avaliação periódica dos alunos do internato. “A cada três semanas, os alunos do internato serão avaliados, independentemente da área em que estejam – clínica médica, pediatria, ginecologia ou atenção primária. Todas as provas seguirão o modelo do Enamed”, detalhou.

Além disso, a FAI mantém a oferta de cursinho preparatório específico para o exame.

INTERNATO EM ADAMANTINA AVANÇA E CAMINHA PARA CONSOLIDAÇÃO TOTAL

Um dos pontos centrais da nova gestão é a ampliação do internato médico em Adamantina, com a Santa Casa assumindo papel estratégico como campo de prática e formação.

Atualmente, o internato tem duração de dois anos. Até então, apenas seis meses eram realizados no município. A partir de agora, o cronograma passa a ser ampliado gradativamente.

“A turma T8 [Turma 8] fará o primeiro ano integralmente em Adamantina e o segundo ano em São Carlos. A T9 fará um ano e meio aqui e apenas seis meses fora, por conta da alta complexidade. A expectativa é que, a partir da T10, o internato seja totalmente realizado em Adamantina”, explicou.

De acordo com o coordenador, a limitação atual se deve à ausência de alguns serviços de alta complexidade na Santa Casa, mas investimentos estão em andamento para suprir essa demanda.

INVESTIMENTOS EM ESTRUTURA, PRECEPTORIA E HOSPITAL ESCOLA

Dr. Alessandro Jacinto destacou ainda que a FAI realizou investimentos significativos na Santa Casa de Adamantina para viabilizar o internato. “Hoje, a Santa Casa conta com salas de aula, salas de reunião, biblioteca, anfiteatro e toda uma estrutura acadêmica dentro do hospital. Isso é resultado, basicamente, de investimentos da FAI”, afirmou.

Outro avanço está na qualificação dos profissionais que atuam como preceptores. “Temos hoje um número muito maior de médicos com RQE [Registro de Qualificação de Especialista], que é o registro de especialista. Esses profissionais recebem bolsa de preceptoria, porque além do trabalho assistencial, eles acompanham os alunos, o que exige tempo e dedicação”, explicou.

Além dos médicos da Santa Casa, docentes da FAI acompanham diretamente o internato. “Haverá docentes responsáveis por cada área – clínica médica, pediatria, ginecologia -garantindo a presença institucional da FAI dentro do hospital e dando suporte direto aos alunos”, completou.

CIESP AMPLIA ATENDIMENTO E CAMPO DE ENSINO

Outro reforço importante será o início das atividades do Cies (Centro Integrado de Especialidades em Saúde), previsto para esta segunda-feira (2)

“O Cies será um ambulatório de especialidades e fará parte integrante do internato. É um ganho enorme para a cidade, porque amplia o atendimento à população e se torna um campo de ensino para nossos alunos, com atuação médica e multiprofissional, incluindo psicologia, nutrição e outras áreas”, ressaltou.

GANHOS PARA A POPULAÇÃO

Para o coordenador, a consolidação do internato e a transformação da Santa Casa em hospital escola trazem benefícios diretos à população. “Haverá maior rapidez no atendimento, porque o paciente será assistido por uma equipe maior, sempre com supervisão. Além disso, teremos alunos, residentes e profissionais mais atualizados, o que melhora a qualidade do atendimento como um todo”, avaliou.

A Santa Casa também contará, a partir deste ano, com quatro vagas de residência médica em clínica médica. “O residente é fundamental no ensino médico. Ele aprende muito e ensina muito. Isso fortalece a curva de aprendizado dos alunos”, destacou.

Dr. Alessandro se diz ainda confiante no futuro do curso e da instituição. “Sou extremamente otimista. Somos uma faculdade nova, com apenas 10 anos, em uma cidade de 35 mil habitantes, em uma região carente de recursos. Mesmo assim, avançamos muito, especialmente agora com o internato em Adamantina”, pontuou.

TRAJETÓRIA ACADÊMICA SÓLIDA E RETORNO ÀS ORIGENS

Nascido em Adamantina, Dr. Alessandro construiu uma carreira acadêmica de destaque em grandes centros do país. É graduado pela Santa Casa de São Paulo, possui doutorado pela USP (Universidade de São Paulo) e pós-doutorado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Especialista em Geriatria e Gerontologia, atuou como professor em instituições renomadas, como a Unesp (Faculdade de Medicina de Botucatu) e a Unifesp (Escola Paulista de Medicina), além de orientar alunos de mestrado e doutorado.

Desde agosto de 2022, integra o corpo docente da FAI. “O que me motivou a aceitar esse desafio foi justamente o fato de ser da cidade e querer contribuir com a instituição, especialmente em um momento delicado e decisivo como este”, afirmou. “A FAI é uma joia para Adamantina. Convido a população a conhecer a instituição, seus laboratórios, suas estruturas. Poucas cidades têm uma universidade como a FAI. Precisamos ter orgulho dela e fortalecê-la, porque a cidade inteira depende da FAI”, concluiu.

Publicidade