
A Prefeitura de Adamantina declarou situação de risco elevado para infestação do mosquito Aedes aegypti após a conclusão da primeira Avaliação de Densidade Larvária (ADL) de 2026. O levantamento, realizado na primeira quinzena de janeiro em 571 imóveis, apontou um Índice Breteau (IB) de 5,25. O número indica que a quantidade de insetos em desenvolvimento está muito acima do preconizado pelos órgãos de saúde, colocando o município em perigo para surtos de dengue, zika e chikungunya.
Apesar de não ter casos confirmados da doença em 2026, o cenário se agrava com a atualização dos dados epidemiológicos. Até esta sexta-feira (29), a cidade já contabiliza 31 casos prováveis da doença. O temor das autoridades é que os números repitam o cenário de 2025, ano em que Adamantina registrou 795 casos confirmados, segundo o Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde de SP.
AÇÕES DE COMBATE E PREVENÇÃO
Segundo o coordenador de Controle de Vetores, Moacir Coutinho Estopa, o clima atual cria a “tempestade perfeita” para a proliferação. “Temos encontrado focos de mosquito em praticamente todos os bairros do município, inclusive no centro, já que estamos em período chuvoso e quente, ambiente ideal para o Aedes se desenvolver”, alerta.
Para tentar frear a curva de contágio, o município intensificou as visitas domiciliares de rotina e o monitoramento de pontos estratégicos, como depósitos de reciclagem e borracharias. A ação conta com o reforço dos Agentes Comunitários de Saúde, que também têm encontrado criadouros durante as visitas.
A principal orientação do coordenador é para o cuidado imediato após as chuvas de verão. “A orientação é tirar alguns minutos e verificar o quintal depois das chuvas. Observar vasos, calhas, ralos pluviais, lavar bebedouros de animais e manter lixeiras fechadas”, explica.
No ano passado, as ações de enfrentamento à doença dependeram exclusivamente de verbas estaduais. De acordo com a prestação de contas da pasta da saúde, a cidade recebeu, ao todo, R$ 175.765,00 via transferência da Tabela SUS Paulista – Dengue para o combate ao Aedes aegypti. O repasse ocorreu apenas no primeiro quadrimestre de 2025, sem novos aportes específicos para essa finalidade nos dois quadrimestres seguintes.

VACINAÇÃO
Em 2026, Adamantina conta com a vacina contra a dengue como aliada. As doses chegaram ao município em 15 de janeiro e a aplicação começou no dia 19. O público-alvo inicial são crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
De acordo com a enfermeira responsável pela Vigilância Epidemiológica municipal, Myrian Regina Rocha Prado, 83 crianças tinham sido imunizadas até o momento da apuração do IMPACTO. A meta nacional é vacinar 90% desse público. “Estamos com demanda espontânea nos postos, usando agentes comunitários e contato telefônico com os pais”, diz a enfermeira. A Saúde planeja parcerias com a Secretaria de Educação e um “Dia D” de vacinação com a volta das aulas.
Myrian destaca ainda que a vacina é vital para evitar o agravamento da doença e lamenta a circulação de notícias falsas que afetam a cobertura vacinal. “As redes sociais têm um papel importante, mas o problema são informações sem conhecimento técnico. A vacina é uma medida adicional que, junto ao |Controle de Vetores, contribui para reduzir hospitalizações e mortes”, pontua.
SERVIÇO
Para vacinar crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, é necessário comparecer ao posto de saúde mais próximo portando CPF ou Cartão SUS e a carteira de vacinação.
Em caso de febre alta (acima de 38°C), dores no corpo, atrás dos olhos ou manchas vermelhas, o morador deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) imediatamente. A automedicação, especialmente com anti-inflamatórios e aspirinas, é contraindicada, pois pode agravar o quadro para dengue hemorrágica.









