Pergunta do dia: afinal de contas, qual a diferença entre paixão e amor?
A romancista francesa Madeleine de Scudéry conseguiu resumir em simples palavras o que ninguém conseguia: o amor é um não sabe-se o quê, que surge não sabe-se de onde e acaba não sabe-se como. Poetas são quem definem o amor; leigos apenas sabem que ele é uma constante, um longo caminho, um som que reclama eco. Paixão é caminhar na chuva, enquanto amor é procurar abrigo na pessoa amada – não fosse estranho, seria cômico.
Amor é um longa-metragem sem fim definido. Paixão é comercial de TV: trinta segundos de pura aventura. Camões escreveu que “amor é fogo que arde sem se ver”. Só se esqueceu de completar que, para durar, é necessário alimentá-lo. A paixão, não.
O amor nasce do quase nada e morre de quase tudo. Amor é, no passado, ter tido paixão e não ter sabido alimentá-la, deixando-a se tornar um chato “sempre”, sem graça, permanente: amor é egoísmo a dois, até que a morte os separe; um sentimento de dedicação absoluta de um a outro ser. Já a paixão é uma emoção ou sentimento elevados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão – ela, sim, é quem sacode nossas vidas!
Quando a paixão vem, tudo é adrenalina; contudo, quando o amor dá as caras, o alarme de perigo é acionado – ou mata-o agora ou terá problemas futuros. Amor é paixão, mas paixão é amor ardente. Paixão pode ser uma, várias, até três ao mesmo tempo. O amor, não, é um de cada vez, enjoativo – uma hora sua beleza vai embora e o relacionamento esfria.
De certa forma, todos nós amamos com quem nos casamos. A grande questão é se você é apaixonado por seu esposo ou esposa. É preciso deixar a brasa arder e nunca se apagar, alimentá-la com lenha nova, acelerar o processo antes que o calor acabe. O amor não passa de uma velha e retardatária maria-fumaça. Paixão, não. A paixão é o verdadeiro trem-bala!










