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segunda-feira, 9 março, 2026

Lugar de mulher é onde ela quiser: histórias de força na construção civil e no volante

Pintora empreendedora e motorista de coleta mostram que determinação e paixão pelo trabalho superam estereótipos e preconceitos

Por muito tempo, mulheres em todo o mundo foram limitadas a papéis restritos dentro da sociedade, associadas principalmente aos cuidados da casa, do marido e dos filhos. Embora essa realidade tenha mudado ao longo das décadas, ainda existem desafios para que a presença feminina seja plenamente reconhecida em todos os setores profissionais. Ainda assim, cada vez mais mulheres mostram, na prática, que competência, dedicação e talento não têm gênero.

Em Adamantina, duas histórias ajudam a ilustrar essa transformação. A pintora Andreza Cristina Pereira, de 40 anos, e a motorista Alba Cristiane Sichieri, conhecida como Cris, de 44, são exemplos de mulheres que conquistaram espaço em áreas tradicionalmente dominadas por homens: a construção civil e o transporte pesado.

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Pintora Andreza Cristina Pereira | Foto: João Vinícius Faustino/IMPACTO

DA OBRA À LIDERANÇA

A trajetória de Andreza Cristina Pereira na construção civil começou cedo. Aos 15 anos, ela iniciou como servente de pedreiro em obras da região. Na época, o trabalho era intenso e exigia esforço físico constante. Foi então que surgiu a oportunidade de aprender pintura, atividade que acabaria definindo sua carreira.

“Aos 16 anos meu patrão perguntou se eu queria aprender pintura, porque era um trabalho menos pesado. Comecei como ajudante de pintor e fui aprendendo na prática”, relembra.

Após passar por outras áreas ao longo da vida, Andreza retornou à pintura há cerca de oito anos, desta vez como empreendedora. Hoje ela comanda uma equipe formada por oito homens – número que já chegou a 12 profissionais – e é responsável pela execução de diversos trabalhos na região.

Segundo ela, a presença feminina na construção civil tem crescido, inclusive em áreas técnicas como arquitetura e engenharia. Para Andreza, as mulheres trazem características que podem fazer diferença no resultado final das obras.

“A mulher costuma ser mais detalhista e cuidadosa. Eu sempre busco fazer cursos e aprender técnicas novas. Também mantenho contato com profissionais de outras cidades para me atualizar”, conta.

Determinada a incentivar outras mulheres, Andreza planeja criar no futuro um grupo formado por pintoras. Para ela, o principal conselho é acreditar no próprio potencial. “Independente da profissão, tem que correr atrás do sonho, ser persistente e determinada”, afirma.

Motorista Alba Cristiane Sichieri | Foto: João Vinícius Faustino/IMPACTO

VOCAÇÃO NO VOLANTE

Se na construção civil a presença feminina ainda chama atenção, nas estradas a realidade não é muito diferente. A motorista Alba Cristiane Sichieri construiu uma trajetória marcada por desafios, coragem e superação.

Filha de caminhoneiro, Cris cresceu ouvindo histórias das viagens do pai e desde pequena se encantou com o universo das estradas. O primeiro contato com o volante aconteceu ainda na infância.

“Meu pai me ensinou a dirigir um Fusquinha quando eu tinha nove anos. Aquilo me marcou muito. Eu sempre quis viajar junto com ele”, lembra.

Anos depois, já adulta, veio a oportunidade de aprender a dirigir caminhão. “Meu padrasto parou o caminhão na frente de casa e falou: ‘vou te ensinar uma vez só. Se aprender, bem; se não aprender, amém’. Eu subi e nunca mais desci”, conta.

Ao longo da carreira, Cris trabalhou em diversas funções, incluindo transporte de grãos e celulose em rodovias pelo país. Somando todas as experiências, foram sete anos nas estradas.

Hoje, ela atua como motorista de coleta de lixo na Prefeitura de Adamantina e também auxilia o ponto de apoio da equipe de coletores. O trabalho exige atenção constante, não apenas ao trânsito, mas também à segurança dos colegas.

“O motorista tem que cuidar de todo mundo. Os meninos estão correndo atrás do caminhão, jogando peso, e a gente precisa estar atento para que nenhum carro passe perto ou aconteça algum acidente”, explica.

Mesmo diante de preconceitos comuns no início da carreira, como a frase “mulher no volante, perigo constante”, Cris afirma que sempre respondeu com dedicação e profissionalismo. “Preconceito sempre tem, mas eu mostro o meu trabalho e conquisto meu espaço. Hoje tenho muito orgulho do que faço”, afirma.

Ela também destaca a importância do trabalho dos coletores para o funcionamento da cidade. “Se a gente parar um dia, vira um caos. É um serviço muito importante.”

INSPIRAÇÃO PARA OUTRAS MULHERES

Apesar de trajetórias diferentes, Andreza e Cris compartilham uma mesma convicção: nenhuma profissão deve ser limitada por gênero. Para elas, coragem, dedicação e vontade de aprender são os verdadeiros fatores que determinam o sucesso.

“Não deixe ninguém dizer que você não é capaz”, reforça Cris. “Eu comecei dirigindo um Fusquinha aos nove anos e hoje comando um caminhão com muito orgulho.”

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