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segunda-feira, 9 março, 2026

Enfermagem: a força feminina que transforma cuidado em missão de vida

No Dia Internacional da Mulher, histórias de profissionais de Adamantina revelam desafios, vocação e a essência do cuidar

Celebrado neste domingo (8), o Dia Internacional da Mulher reforça o protagonismo feminino em diversas áreas, e uma delas é a enfermagem. O Brasil conta com mais de 3 milhões de profissionais de enfermagem, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares, segundo o Conselho Federal de Enfermagem. As mulheres representam cerca de 85% dessa força de trabalho, enquanto o setor público concentra 61,9% dos vínculos profissionais.

Em Adamantina, a história da enfermagem se confunde com a própria trajetória educacional do município. Em 1º de março de 1980 foi criada a FEO (Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia), que, após unificação com a Fafia (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Adamantina), em 1998, deu origem à FAI (Centro Universitário de Adamantina). Desde então, gerações de mulheres encontraram na profissão um propósito de vida.

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Sonia Maria Teles da Silva Claudiano | Foto: Arquivo pessoal

Uma delas é Sonia Maria Teles da Silva Claudiano, que atua na Santa Casa de Adamantina desde 1987. Filha de trabalhadores rurais, ela saiu do sítio movida pelo sonho de estudar. “Minha vontade era ter uma profissão. Fiz o curso de atendente de enfermagem e, durante o estágio, fui convidada para trabalhar. Aceitei muito feliz, porque melhoraria nossa vida”, relembra.

A trajetória foi construída degrau por degrau: atendente, auxiliar, técnica, enfermeira e especialista em Nefrologia. “Meu pai dizia que eu não conseguiria, que ia passar mal. Mas eu não desisti”, conta. Para ela, a rotina é intensa: acolhimento, organização de equipe, protocolos e medicações. “É extensa, mas prazerosa. A satisfação é ver o paciente indo embora com gratidão.”

Tatiana Schelleges | Foto: Arquivo pessoal

Tatiana Schelleges, 47 anos, atua no PAI Nosso Lar (Polo de Atividades Integradas) e em home care, com foco em saúde mental. Para ela, a enfermagem é “entrega e doação”. Antes mesmo da formação acadêmica, viveu uma experiência marcante ao acompanhar um paciente com depressão severa. “Ele não dormia, não andava, não se comunicava. Com dedicação, veio a recuperação. Ele reaprendeu a viver. Aí você sente como é importante o cuidar.”

Acostumada a plantões de 12 por 36 horas, que muitas vezes se estendem, Tatiana reconhece o desgaste. “Dificilmente se tem apenas um trabalho. Muitas vezes fazemos uma breve visita em casa.” Ainda assim, reforça: “Na saúde não tem cor, classe social ou parentesco. Cuidamos do ser humano, e isso é gratificante.”

Iara Marchert Bordinhon | Foto: Arquivo pessoal

Já Iara Marchert Bordinhon, 44 anos, enfermeira do trabalho e esteta, que atua em uma clínica médica, destaca a amplitude da profissão. Formada inicialmente em Letras, encontrou na enfermagem uma nova vocação. “É uma profissão que une conhecimento técnico, responsabilidade e sensibilidade humana.”

Um dos momentos que consolidaram sua escolha foi durante o tratamento de saúde da mãe. “Meu conhecimento fez diferença. Ali tive certeza de que estava no caminho certo.” Hoje, atua em clínica particular, conciliando gestão e assistência. Para ela, o maior desafio é transformar empatia em cuidado, sem perder o equilíbrio emocional.

Apesar de serem maioria, as mulheres ainda enfrentam sobrecarga e a necessidade de provar competência. “Precisamos continuar avançando em reconhecimento e valorização”, afirma Iara.

Em comum, as três histórias revelam coragem, dedicação e propósito. Sonia resume: “Tem dias difíceis, mas com amor fazemos a diferença.” Tatiana reforça: “Somos guerreiras.” E Iara completa: “Nunca deixem que limitem seus sonhos.”

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