No Corpo de Bombeiros de Adamantina, a bravura e a dedicação diária são representadas por profissionais como a 2ª sargento Daiane Trevizan Fabiano Alves, de 35 anos, e a cabo Juliane dos Santos Ferreira Rezende, também de 35. Com trajetórias distintas, elas demonstram como as mulheres vêm consolidando seu espaço em atividades essenciais e de alto risco ao longo dos anos.

CAMINHOS PARA A CORPORAÇÃO
Formada na faculdade de enfermagem, Daiane prestou diversos concursos públicos até encontrar uma vaga para o Corpo de Bombeiros no edital da polícia. Ela ingressou na corporação em maio de 2015. “Sempre admirei a profissão”, disse a sargento, que conta ter unido a oportunidade profissional com a sua admiração.
Já a cabo Juliane ingressou na Polícia Militar em 2017 com o intuito de atuar no policiamento de área. O interesse pelo Corpo de Bombeiros despertou após aulas de primeiros socorros durante o curso de formação e pelo forte incentivo do esposo de uma amiga de turma, que já atuava na área e lhe apresentou a rotina de um quartel. Após passar por etapas rigorosas como provas escritas, testes de aptidão física, exames médicos e avaliação psicológica, ela realizou testes específicos (natação, subida na corda, espaço confinado e pórtico de altura) para se tornar bombeira. Juliane passou por nove meses de curso na Escola Superior de Bombeiros, em Franco da Rocha (SP), e trabalhou quatro anos na capital paulista antes de conseguir transferência para Adamantina.

DESAFIOS E VIDAS SALVAS
A rotina de um bombeiro abrange atuação em salvamentos, resgates e incêndios. Entre tantas ocorrências marcantes, o socorro a crianças se destaca na memória de ambas. Daiane relembra com emoção o salvamento de um bebê engasgado, situação em que a equipe obteve êxito total.
Juliane conta sobre um resgate dramático durante seu período de estágio em São Paulo: um veículo em alta velocidade atropelou uma família que atravessava a rua na faixa de pedestres. No impacto, uma criança de apenas um ano foi arremessada com o carrinho de bebê por cima de um muro. A equipe precisou seguir o som do choro, pular o muro e resgatá-la, garantindo que a vítima fosse estabilizada pelos cuidados médicos.
Os desafios da profissão, contudo, também estão na vida pessoal. Para Daiane, a maior dificuldade é conciliar a vocação com a distância da família. Seu primeiro grande desafio foi realizar o curso de formação longe de seu filho, que tinha apenas três anos na época. A rotina de escalas de 24 horas e a realização de cursos ministrados majoritariamente em São Paulo tornam o distanciamento uma barreira constante para a mãe.
O PROTAGONISMO FEMININO
O espaço da mulher no Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo começou a ser aberto em 1991, com as Pioneiras do Fogo. Hoje, o número de mulheres aumentou significativamente, demonstrando engajamento nos vários setores do serviço público. Dentro da corporação, as oportunidades são iguais para todos. A evolução é visível na prática: hoje, as bombeiras desempenham desde funções administrativas até o papel de comandante, além de dirigirem viaturas de emergência e caminhões de incêndio.
Segundo Juliane, embora a profissão exija força física, a técnica muitas vezes se sobressai na resolução de uma ocorrência. Profissionais de menor estatura, por exemplo, são fundamentais para acessar vítimas presas em ferragens ou atuar em espaços confinados.
Para marcar este 8 de março, Daiane lembra que a mulher é o pilar fundamental na construção de uma sociedade justa, atuando como agente de transformação e força de trabalho. Ser mulher é ser sinônimo de coragem e protagonista da própria história. “Insista, persista e não desista”, aconselhou a sargento. Juliane também deixa um recado para as futuras bombeiras: “Venham, aqui vocês irão descobrir uma capacidade que talvez nunca imaginaram ter, vão aprender a ser mais fortes e resilientes, além de poder servir ao próximo”.








