Na segunda-feira (16), a Câmara de Adamantina aprovou a criação do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. O conselho é um passo importante para a implementação de políticas públicas voltadas a coibir a violência contra a mulher.
Recentemente, tivemos várias notícias sobre abusos cometidos contra mulheres e um aumento nos casos de feminicídio.
Em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios. Isso representa cerca de 4 mulheres assassinadas por dia, ou uma mulher a cada 6 horas – o maior índice desde a tipificação do crime. No mesmo ano, 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar, segundo dados do Senado Federal. Os casos de estupro e violência sexual cresceram 56,6%, e agora vem a parte mais chocante: 56% das vítimas são crianças e adolescentes.
Isso não é um problema pontual, mas sim um padrão estrutural do modo de vida que estamos levando – uma sociedade em que tudo se transforma em objeto de consumo, inclusive os corpos.
Por isso, é importante buscarmos a origem das atitudes que culminam na violência contra a mulher. Ela não surge de forma isolada, mas é construída de acordo com a cultura da sociedade em que vivemos.
Um dos pilares dessa estrutura é a objetificação do corpo feminino, em que o meio social transforma o corpo da mulher em objeto de desejo. A própria expressão “sexo frágil” reforça essa lógica, como se o homem pudesse subjugá-las.
Essa lógica também aparece na forma como os animais são utilizados para consumo, sendo objetificados como alimento. E, dentro desse sistema, o sexo feminino também é o que mais sofre.
É a galinha que é criada para botar ovos; é a vaca que tem seu corpo invadido por inseminação para gerar um filho e, com isso, produzir leite. Muitas vezes, seu filhote é retirado nos primeiros dias de vida, causando dor física – devido à produção de leite e à ordenha – e sofrimento psicológico pela separação do bezerro. O mesmo ocorre com as cabras.
O corpo feminino e o corpo animal, muitas vezes, são tratados como algo a ser consumido. Isso pode ser observado em propagandas de cerveja e, por vezes, até em propagandas de carne, nas quais o consumo é associado à masculinidade — uma construção cultural, e não biológica. Inclusive, evidências científicas mostram que o consumo excessivo de carne pode impactar negativamente a função sexual masculina. Ainda assim, esse consumo é predominantemente maior entre homens, sendo frequentemente associado à força, poder e virilidade.
Por isso, devemos educar nossas crianças para respeitar os corpos alheios, sejam eles de mulheres ou de animais. A violência contra animais na infância está associada a um maior risco de comportamentos violentos na vida adulta.
O combate à violência contra a mulher, além das devidas punições, exige uma transformação cultural na forma como nos relacionamos com o outro. Pessoas e animais não são objetos, nem propriedades. Devemos ensinar empatia desde a primeira infância, especialmente nas escolas municipais.
Precisamos entender que negros não foram feitos para brancos, animais não foram feitos para humanos e mulheres não foram feitas para homens.













