Adamantina celebra nesta quinta-feira (2) o Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo com a campanha “Todos de Azul”. Promovida pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação, a iniciativa convida a comunidade escolar e a população a vestir uma peça de roupa azul para incentivar o respeito, a inclusão e a compreensão das pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista).
A mobilização conta com o apoio de diversas entidades locais, incluindo a Secretaria de Assistência Social, o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), o Conselho Tutelar e outras organizações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

ROTINA E DIAGNÓSTICO
Para além das ações do poder público, a conscientização sobre o autismo é vivenciada diariamente pelas famílias. A nutricionista Heloísa Mastellini Tesser, mãe de Gustavo, 9, relata que a rotina do filho exige suporte constante em atividades de higiene, alimentação e administração de medicamentos. Gustavo é não verbal e faz sessões semanais com psicóloga, fonoaudióloga, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional.
“Cada pequena atitude que demonstra ganho de autonomia enche meu coração de alegria, como comer sozinho, escovar os dentinhos, calçar o sapato”, afirma Heloísa. Ela diz que o processo para aprender um novo comportamento muitas vezes é longo, mas a conquista é sempre gratificante.
Gustavo estuda em uma escola especializada (Apae) e cumpre a carga horária de terapias estabelecida. Segundo a mãe, isso ajuda o menino a lidar com características próprias do diagnóstico, como a hiperatividade associada ao TEA.
Sobre o atendimento na rede pública de saúde, a nutricionista aponta que o cenário ainda é de insuficiência, um problema que não se restringe a Adamantina. “Faltam terapeutas, principalmente fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, e assistentes terapêuticos capacitados nas escolas. Porém, percebo que já melhorou muito de uns anos para cá”, declara.
APOIO ÀS FAMÍLIAS
Heloísa destaca que o TEA ganhou maior visibilidade nos últimos anos graças a movimentos da comunidade autista e a marcos como a criação da Lei Romeo Mion, mas ressalta que grande parte da sociedade ainda desconhece o que de fato é o transtorno. Por ter passado pelo processo, ela costuma dar suporte e orientar outras mães que suspeitam de atrasos no desenvolvimento dos filhos.
“O período de busca do diagnóstico é muito angustiante”, afirma a nutricionista. Por isso, ela deixa um recado para as famílias que acabaram de receber a confirmação médica: “Principalmente, não se culpe. Seu filho continua sendo seu filho, muito maior que um diagnóstico. Os dias difíceis farão parte, mas assistir a cada conquista deles vai ser recompensador”.












