A Geração Z quer uma Missão para chamar de sua?

Confira o conteúdo assinado por Wesley Marques

Nos são escancaradas ondas de protestos por todo o mundo, na qual, quase que invariavelmente, tocada e organizada, se podemos usar este termo, de forma homóloga pela tida Geração Z, com suas bandeiras de One Piece, mangá japonês, na qual os personagens principais ajudam a desmontar governos autocráticos e opressores, e no nosso contexto real, representa a luta por liberdade e contra autarquias e hierarquias, sendo elas ilegítimas ou não. Esse fenômeno foi notório nos protestos da Indonésia, Nepal, Filipinas, Madagascar, Peru, México, e mais recentemente no Brasil.

São protestos sem lideranças claras, que mormente protesta a favor do que qualquer cidadão de bem com seus direitos e deveres em dia com a justiça deveriam querer: fim da corrupção, maiores oportunidades de trabalho, moradia e segurança.

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O que os divergem de protestos anteriores, sejam os tocados pela Geração X pelo fim da Ditadura Militar juntamente com os clamores pelas Diretas Já, que seguiram até os Caras Pintadas culminando no primeiro Impeachment presidencial do país, ou então os organizados pela Geração Millennials, que, mais uma vez, reivindicavam o fim da corrupção com foco maior no “Fora Dilma”, já que neste período  foram sentidos com mais profusão os baques da recessão econômica, o descontrole inflacionário, o aumento do desemprego e a crise política. Períodos esses que não foram recuperados até então, seja pelo desgaste político/econômico causado pela Pandemia de Covid-19 ou pela inaplicabilidade de políticas públicas que resolvessem de fato os problemas.

Já nos protestos atuais, nos quais não existe uma movimentação política clara, seja de direita ou de esquerda, o que estão sendo vistos são manifestações organizadas pela Geração Z que demonstram a insatisfação global com situações econômicas e regimes autoritários, que explodem as massas mais jovens que encontram eco e coparticipação real, afinal, não importa a geração, o jovem sempre quis ser ouvido e notado.

Infelizmente os movimentos das gerações anteriores veem ficando cada vez mais defasados. A Geração X e Baby Boomers ornamentam indivíduos; tidos como políticos de estimação, que aglomeram massas sem um efeito politicamente prático, onde o discurso morosamente não se reflete na realidade, precisando sempre ser requentado com um fato novo. Já a Geração Millenial sofre com seus picos de ansiedade, niilismo e a vasta falta de propósito; misturados com melatonina, café doce e injeções de emagrecimento. Sem uma vitalidade nova, não acreditam mais na economia tampouco na política.

E como diz o ditado francês, “Le mort saisit le vif”, isto é, rei morto, rei posto. A vacância e claudicância faz com que uma nova forma surja, e como na natureza nada se cria e nada se perde, mas sim, tudo se transforma. E vemos essa busca geracional por uma (in)determinada missão, cansada de ter que pagar a conta e bancar uma horda política e judiciária que só enxergam o próprio umbigo. Ao invés disso, querem, como todos quiseram, uma nação com mais oportunidades e menos desigualdades. Um Brasil livre só será de fato livre, quando de fato se livrar das coisas terrenas que não miram o futuro. Se serão diferentes dos iguais, somente o futuro dirá. E quem há de viver, verá.

E como outrora foi ouvido diretamente do Plenário da Câmara, em alto e bom som “Que Deus tenha misericórdia dessa nação”, já eu, finalizo com uma exortação mais profunda.

Livrai-nos de todo e qualquer mal. Amém!

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