Docente da FAI pesquisa impactos da IA na aprendizagem de alunos de Direito

Doutorado do professor José Lourencini busca integrar a tecnologia na aprendizagem dos futuros advogados, estimulando o senso crítico

A Inteligência Artificial consolidou-se como uma realidade inegável tanto no cotidiano quanto no ambiente educacional. Compreender de que maneira essa tecnologia afeta a formação dos futuros profissionais da área jurídica é o foco da atual pesquisa do professor Mestre José Eduardo Lima Lourencini, docente há 10 anos no curso de Direito do Centro Universitário de Adamantina – FAI.

O estudo, que está sendo desenvolvido na Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) sob a orientação da Prof.ª Dra. Monica Fürkotter, busca investigar a influência da IA Generativa no processo de aprendizagem dos universitários e determinar a melhor forma de aplicá-la pedagogicamente. Atualmente na fase inicial, a pesquisa promete trazer reflexões urgentes e necessárias para a sala de aula.

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De acordo com o professor Me. Lourencini, o debate educacional contemporâneo já superou a fase de questionar se a tecnologia deve ou não ser utilizada nas atividades docentes. O foco atual é descobrir como empregá-la para potencializar a educação. No campo jurídico, no entanto, essa transição exige cautela redobrada.

O docente alerta para um desafio relevante e perigoso: o uso indiscriminado de ferramentas de IA na elaboração de peças processuais, sentenças e acórdãos sem a devida análise crítica. “Isso nos expõe a um risco significativo, especialmente relacionado ao fenômeno conhecido como ‘alucinação’, no qual sistemas de IA generativa produzem respostas aparentemente plausíveis, mas que podem ser incorretas ou até mesmo completamente fictícias”, explica.

Segundo o pesquisador, essas plataformas frequentemente geram conteúdos baseados nas expectativas do usuário, o que pode resultar na citação de leis, precedentes e fundamentos jurídicos inexistentes. Essa prática distorcida já tem provocado reações formais por parte dos Tribunais Superiores e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Para mitigar esses riscos e preparar os estudantes da FAI para o mercado de trabalho do futuro, o principal objetivo da pesquisa é promover um verdadeiro “letramento em Inteligência Artificial” no curso de Direito.

A meta é integrar a tecnologia ao processo de ensino-aprendizagem de forma crítica e responsável. Na prática, o professor pretende utilizar a IA durante as próprias aulas e estimular seu uso entre os universitários, mas sempre sob uma perspectiva pedagógica. O intuito é garantir que os futuros operadores do Direito dominem a ferramenta sem abrir mão de sua autonomia intelectual, capacidade analítica e do compromisso ético inerente à profissão.

Para os alunos que acompanharão as disciplinas ministradas pelo professor Lourencini neste semestre, o recado é claro: o momento exige engajamento. Ele ressalta que o curso de Direito vai muito além da memorização de conteúdos, demandando reflexão crítica e responsabilidade.

“Vivemos um momento de profundas transformações, especialmente com o avanço da Inteligência Artificial, que já impacta diretamente a forma como estudamos, pesquisamos e produzimos conhecimento. Por isso, mais do que nunca, é fundamental que vocês desenvolvam autonomia intelectual e senso crítico”, destaca o docente.

Por fim, Lourencini reafirma seu compromisso com a formação de excelência no Centro Universitário de Adamantina: “Nas nossas aulas, vocês serão constantemente desafiados a pensar, argumentar e construir soluções jurídicas com base técnica e ética. E podem ter certeza: estarei ao lado de vocês nessa jornada, exigindo o melhor de cada um, mas também contribuindo para que se tornem profissionais preparados, críticos e comprometidos com a justiça e com a sociedade”.

Prof. Me. José Eduardo Lima Lourencini, docente há 10 anos no curso de Direito do Centro Universitário de Adamantina – FAI | Foto: Agência/FAI
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