A Secretaria Municipal de Saúde avalia a possibilidade de retomar as operações de um Posto de Coleta de Leite Humano em Adamantina de forma gradual e sustentável. O projeto está em fase de estudos e poderá integrar os serviços da pasta após as futuras reformas do CIS (Centro Integrado de Saúde). A arrecadação de leite materno no município encontra-se desativada desde o ano de 2019.
O debate sobre a prestação do serviço voltou à pauta local neste mês, a partir da apresentação da Indicação nº 118/2026 na Câmara Municipal. O documento, do dia 6 de abril de 2026, é de autoria das vereadoras Marta de Almeida Bezerra e Maria Gabriela Costa Calil Bearare. No texto, as parlamentares solicitam estudos para implantar um serviço especializado de coleta, processamento e distribuição de leite. A justificativa é atender à demanda de muitas puérperas que procuram a rede pública para realizar doações, mas não encontram um local adequado.
“Temos inúmeras puérperas que nos procuram diariamente solicitando informações sobre onde e como doar. Como ainda não temos esse local adequado, muitas saem entristecidas por não poder contribuir”, relata a vereadora Marta. Ela ressalta que, apesar do investimento exigido, a estrutura traz economia e benefícios diretos à saúde pública. “Isso vai muito além de simplesmente armazenar leite: é um sistema que salva vidas. Investir em bancos de leite reduz custos hospitalares a longo prazo, já que diminui internações prolongadas e complicações de saúde”, defende a parlamentar.
Em resposta ao IMPACTO, a secretária municipal de Saúde, Elisabete Cristina Jacomasso Marquetti, reconheceu a relevância do pedido para a saúde materno-infantil, mas esclareceu que a implantação de um Banco de Leite Humano completo é inviável no momento.
De acordo com a pasta, a estrutura de um banco de leite exige laboratório próprio, equipamentos de alto custo como pasteurizadores, controle de qualidade rigoroso e uma equipe multiprofissional especializada. O município esbarra em custos elevados de adequação estrutural e despesas contínuas de operação. Há, também, a preocupação de que o remanejamento de profissionais comprometa o atendimento da Atenção Básica e a avaliação de que a atual demanda local não justificaria o alto investimento financeiro de uma estrutura ininterrupta.
HISTÓRICO
Adamantina contava com o Posto de Coleta “Gota de Esperança”, cujas atividades foram encerradas em 2019. A interrupção do serviço ocorreu porque análises técnicas apontaram inviabilidade para a manutenção das exigências sanitárias e operacionais. Mesmo sendo mais simples que um banco de leite completo, um posto de coleta necessita de espaço adequado de acolhimento, área exclusiva de higienização, controle de biossegurança e privacidade garantida para a ordenha.
Outro obstáculo enfrentado por municípios de pequeno porte, como Adamantina, é a logística. O leite arrecadado no posto de coleta não é processado localmente, exigindo armazenamento sob rigoroso controle de temperatura (cadeia de frio) e transporte ágil até um Banco de Leite de referência na região, o que envolve custos com veículos adequados, caixas térmicas e equipe.
Atualmente, sem a estrutura física para o recolhimento e armazenamento do material, campanhas específicas de doação estão suspensas na cidade. Apesar disso, a Prefeitura afirma que as ações de promoção e incentivo ao aleitamento materno continuam sendo desenvolvidas de forma contínua durante o pré-natal e o puerpério pela rede de Atenção Básica. A expectativa da administração é alinhar a retomada do serviço com a capacidade técnica e financeira do município.






