Nasce um atleta olímpico

Confira o conteúdo assinado pelo servidor público e escritor Nivaldo Martins do Nascimento (Londrina)

(Memórias de um cronista III)

Além de jogar futebol no campo próximo à casa deles, os irmãos Branco, Nenezão e Osmar se divertiam nas represas e riachos da zona rural de Andradina/SP. Para ajudar, naqueles tempos, ao longo das estradas de terra que atravessavam sítios e fazendas, havia muitas árvores frutíferas. Quando não era tempo de uma fruta, era de outra. Como conheciam a maioria dos sitiantes, os irmãos tinham acesso livre aos pomares. Com tantas facilidades, as aventuras do trio no campo eram frequentes.

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Seguindo essa toada, os irmãos aprenderiam a nadar nos córregos da região. Detalhe. O último a dominar a saudável arte da natação foi Nenezão. E não foi por falta de engolir alevinos (naqueles tempos existia uma crença entre a molecada da Baixada Preta de que para aprender a nadar, era necessário engolir peixinhos vivos). Mesmo tendo engolido centenas, talvez milhares, de filhotes de peixes, Nenezão não conseguia flutuar e acabaria aprendendo a nadar de uma forma nada convencional. 

Certo dia, Branco e Osmar nadavam em um trecho do Córrego do Moinho que tinha, mais ou menos, três metros de profundidade, quando encontraram uma árvore cravada no fundo do riacho. Como dois galhos da árvore estavam a menos de meio metro da superfície, a dupla subiu neles, ficando com a água pouco abaixo dos joelhos. Com a desculpa de que o local era raso, convidaram o irmão para entrar no riacho.

Na inocência de um náufrago que se agarra num jacaré-açu imaginando que o bicho é um tronco, Nenezão pulou na água. Em seguida, como um machado sem cabo, o pobre garoto desceu até o fundo do ribeirão. Felizmente, ele se lembrou dos movimentos que fazia nas partes rasas das represas onde tentava nadar e, após alguns segundos se debatendo desesperadamente, conseguiu chegar até a margem do córrego.

Em terra firme, Nenezão soltou cobras e lagartos nos irmãos. Ficou tão enfurecido que não ouviu a dupla gritando que havia aprendido a nadar. Em que pese o risco ele que correu, mas a “brincadeira” serviu para que perdesse o medo e se transformasse num exímio nadador. Logo, diferente de Osmar, que sabia nadar, mas nunca soube mergulhar; além de nadar em vários estilos, Nenezão estava mergulhando nos riachos e nas represas da região com a elegância de um atleta olímpico.

Por hoje é isso, caro leitor. Mas, como sei que existe um pequeno ser (literalmente) da espécie mus musculus, que resolveu se dedicar em tempo integral às minhas memórias, deixo aqui uma pequena reflexão. Boas ou más, ao menos as minhas memórias existem. E você, que tanto analisa meus textos, já encontrou alguma lembrança sua que valha a pena dividir com o mundo? Fui, mas qualquer hora eu volto!           

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