
Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego no último dia 29 de abril, apontam que o setor do comércio em Adamantina fechou 52 vagas de trabalho nos três primeiros meses de 2026.
Apesar do saldo geral positivo na geração de empregos no município em março – com 46 novas oportunidades criadas, resultado de 439 admissões e 393 desligamentos -, o comércio registrou, pelo terceiro mês consecutivo, mais demissões do que contratações.
O setor é considerado um dos principais empregadores da cidade, especialmente entre mulheres e jovens em busca do primeiro emprego.
O cenário ocorre em meio às discussões nacionais sobre a possível redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, tema que mobilizou representantes do comércio e serviços nesta semana, em Brasília.
O presidente do Sincomercio Nova Alta Paulista (Sindicato Patronal do Comércio Varejista de Adamantina e Região), Sérgio Vanderlei, integrou uma comitiva de empresários e lideranças do setor que participou de reuniões com parlamentares federais na terça-feira (5) e quarta-feira (6), na Câmara dos Deputados.
O grupo debateu os impactos que uma eventual mudança na legislação trabalhista pode provocar, principalmente para pequenos e médios negócios.
Segundo o presidente em exercício da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), Ivo Dall’Acqua Júnior, o tema exige cautela e diálogo amplo entre trabalhadores, empresários e poder público.
“Trabalhar menos e ganhar a mesma coisa é legítimo. Afinal, todos merecem um período de descanso maior para passar um tempo com a família e com os amigos. O problema é impor um modelo único por lei”, afirmou.

Ainda conforme Dall’Acqua, a redução obrigatória da jornada de 44 para 40 horas semanais poderá elevar significativamente os custos operacionais das empresas, especialmente no comércio. “Pequenos negócios não têm como absorver esse impacto de uma vez sem uma transição, sem contrapartida. Muitas empresas vão ter que demitir, outras vão fechar”, declarou.
Durante os encontros em Brasília, a comitiva também participou de reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos/PB), que afirmou que o debate sobre o fim da escala 6×1 deverá considerar medidas de transição e compensações para as empresas.
“Considero justa a reivindicação da redução da jornada de trabalho, assim como acho justo ouvir quem emprega. Quero entender como isso será absorvido pelas empresas”, afirmou Motta.
O presidente da Câmara reconheceu ainda que os pequenos negócios tendem a ser os mais impactados pelas mudanças. “Os mais afetados não serão os grandes, mas os pequenos, aqueles que têm três, quatro, cinco funcionários, e não terão onde colocar mais esse custo”.
Segundo estudo apresentado pela FecomercioSP, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode gerar impacto de R$ 158 bilhões nos custos da folha de pagamento das empresas brasileiras.
Motta reafirmou nesta quinta-feira (7) que a Câmara dos Deputados pretende avançar com a discussão ainda neste mês. “Queremos votar ainda neste mês de maio, no mês do trabalhador”, declarou.






