Serena é uma adolescente de 16 anos. Sempre que sai com seu pai e passam principalmente por uma praça, costuma questioná-lo no tocante a quantidade de transeuntes pedintes. Garota observadora e perspicaz costuma indagá-lo: “Porque há tantos andarilhos pelas ruas e praças da cidade?”
Considerando os infortúnios da vida, avalia: Quanto as pessoas mais novas, provavelmente por estarem desempregadas. Quanto aos idosos, talvez por terem sidos abandonados pelas famílias. Quanto as crianças por morarem na periferia da cidade, buscam de alguma forma conseguirem uns trocados para ajudar na renda familiar.
Passeando com Serena pelo shopping no domingo em que se comemora o Dia das Mães, Renato sugeriu que fossem almoçar na praça de alimentação. Diante de um cardápio variado de um dos restaurantes self-service, entraram e fizeram seus respectivos pratos, pediram refrigerantes e se dirigiram até uma mesa.
Devidamente sentados para degustarem suas refeições, Serena percebeu uma senhora de idade avançada, olhando um banner ilustrativo na entrada de um dos restaurantes. Contando em suas mãos seus parcos recursos, que se resumiam em algumas notas e moedas, percebeu que não eram suficientes.
Talvez por ser o dia das mães e ter ficada órfã recentemente, Serena não pensou duas vezes. Criada nos padrões de uma família de classe média, sabendo das dificuldades que se sobressaem no dia a dia, se levantou por instinto e se dirigiu até a senhora. Provavelmente pensando em sua mãe Suzana, à conduziu até uma mesa próxima.
Pegou seu prato, seu refrigerante e os levou até à mesa em que deixara a senhora. Com um sorriso de “filha para uma mãe”, exclamou: “Bom apetite!” Comovida com o gesto da garota, a senhora se levantou e deu-lhe um abraço e um beijo de “mãe para uma filha”.
Visivelmente emocionada, Serena se explicou ao seu pai: “Não estava com tanta fome assim!” Vou buscar um lanche e um refrigerante. Como que passando um filme pela sua cabeça, Renato pensou: “Com este coração sensível minha filha vai ser uma mãe muito feliz.”
Saindo do shopping a caminho do estacionamento, Renato exclamou: “Sabe filha, se os seres humanos não pensassem só em si próprios e fossem menos egoístas e mais acolhedores, em vez de viverem em uma eterna guerra, seriam mais felizes.”
Dentro do carro, Serena se expressa de forma contundente: “Diante da educação e dos exemplos que eu recebi do senhor e da mamãe, que a tive por pouco tempo, eu só fiz o que o meu coração sugeriu.”






