A gestão financeira da Saúde em Adamantina desponta como um ponto de atenção no balanço do primeiro quadrimestre de 2026. Entre janeiro e abril, o município precisou destinar 22,10% de sua receita de impostos para cobrir as despesas pagas da pasta, superando com folga o piso constitucional de 15%. Para manter o funcionamento da rede, a prefeitura arcou com quase metade de todo o custo operacional utilizando recursos próprios.
Os dados consolidados do período mostram que o custo total da Saúde atingiu R$ 26,5 milhões nos quatro primeiros meses do ano, o que representa uma média de R$ 6,63 milhões mensais. Desse montante, R$ 12,5 milhões saíram exclusivamente dos cofres municipais. Na prática, a prefeitura foi responsável por 47,1% de cada centavo gasto, o que gerou um custo médio de R$ 3,13 milhões por mês para a administração local.
O cenário exige cautela orçamentária devido ao alto grau de comprometimento das receitas. Até abril, a prefeitura já havia empenhado, ou seja, reservado em contratos para garantir o pagamento de serviços, 35,63% de toda a sua receita corrente para a Saúde (R$ 20 milhões). O comprometimento de mais de um terço do orçamento com uma única secretaria reduz a margem da prefeitura para realizar novos investimentos em outras áreas do município.
A AUSÊNCIA DE REPASSES DO ESTADO
Além dos altos custos operacionais, a composição das receitas ajuda a explicar a necessidade de aportes da prefeitura, que precisou injetar cerca de R$ 1 milhão a mais por mês acima do mínimo exigido pela Constituição. O balanço do quadrimestre aponta uma ausência de repasses do Governo do Estado de São Paulo para programas de custeio contínuo.
Dos recursos que ingressaram no fundo de saúde, o Estado respondeu por R$ 3,9 milhões. Contudo, a quase totalidade desse valor (R$ 3,75 milhões) refere-se estritamente aos pagamentos da Tabela SUS Paulista.
Linhas essenciais de custeio no atendimento básico permaneceram zeradas no período. Um demonstrativo disso é que não houve repasses estaduais para os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT, voltado a pacientes psiquiátricos) e para as ações de combate à Dengue, cujo atraso nos envios estaduais persiste desde o início do ano passado. Sem a contrapartida do Estado nessas frentes, o município acaba absorvendo a demanda de forma integral, arcando sozinho com a execução dos serviços e pressionando as contas locais.















