Nem tudo são flores

Confira o conteúdo assinado administrador de empresas Carlos Roberto Ticiano

O condomínio residencial Sol de Verão, sempre foi considerado atraente aos olhos dos que passam em frente, não só pela sua estética inovadora como também por ser muito florido. Residir neste espaço harmonioso é um privilégio de poucos, como diria Dona Amélia.

Moradora antiga do residencial, sempre é vista acompanhada de sua bengalinha, fazendo caminhadas de manhã e as vezes à tarde. Em sua rotina diária, percorre toda extensão que interliga as quatro torres, composta de 12 andares cada uma.

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Mas como nem tudo são flores no paraíso, numa tarde nublada com rajadas de ventos, um vaso da flor “Maria sem vergonha”, conhecida também como “Beijinho”, se movimentava ao sabor do vento, na sacada do 4ª andar de um apartamento. O que ninguém podia esperar é que a intensidade do vento iria derrubá-lo, atingindo a cabeça do jardineiro.

Atordoado com o impacto do vaso e um provável galo em sua cabeça, Messias se dirigiu até a portaria para se recompor do susto e informar ao Severino do incidente. Dona Amélia e sua inseparável bengalinha, ao passar pela portaria, indagou – O que aconteceu Messias? A resposta foi clara e objetiva – Uma Maria sem vergonha acertou a minha cabeça!

Indignada com a resposta do jardineiro, exclamou – Credo em cruz! O que essas mulheres não fazem para arrumar um homem hoje em dia! Calma Dona Amélia! Estou referindo me apenas a um vaso da flor “Maria sem vergonha”, que despencou da sacada do 4º andar sobre a minha cabeça.

Amedrontada, advertiu o porteiro Severino – Você deve relatar isso ao síndico, para que seja convocada uma reunião de condôminos. Reunião realizada, ata redigida, formalizada e documentada, ficou constatado que os moradores não poderiam mais deixar vasos de flores, seja de que espécie fosse, sobre o parapeito das sacadas.

Mas como nem tudo são flores no paraíso, numa tarde ensolarada com rajadas de ventos, um vaso da flor “Espada de São Jorge”, conhecida também como “Espada de Santa Bárbara”, se movimentava ao sabor do vento, na sacada do 6ª andar de um apartamento recém alugado. Antes que o Severino pudesse alertar a moradora, a Espada de São Jorge não resistiu as intempéries do tempo e despencou atingindo a cabeça da faxineira.

Atordoada com o impacto do vaso e um provável corte em sua cabeça, Dalva se dirigiu até a portaria para se recompor do susto, fazer um curativo e relatar ao Severino o que tinha acontecido. Dona Amélia e sua inseparável bengalinha, ao passar pela portaria, indagou – O que aconteceu Dalva? A resposta foi clara e objetiva – Uma Espada de São Jorge acertou a minha cabeça!

Revoltada com a resposta da faxineira, exclamou – Valha-me Deus! Quem diria que um dia, São Jorge deixaria cair sua espada na cabeça de alguém! Calma Dona Amélia! Estou referindo-me apenas a um vaso da flor “Espada de São Jorge”, que despencou da sacada do 6º andar sobre a minha cabeça.

Apavorada com a possibilidade de um vaso qualquer de flor atingir também à sua cabeça, Dona Amélia gesticulando apreensiva sua bengalinha em riste, exclamou – Antes que eu seja vítima de uma “Costela de Adão”, conhecida também como “Trepadeira”, vou comprar um capacete de segurança.

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