No almoço de Sexta-feira Santa o meu bacalhau foi escoltado por um vinho branco, o Cobos Felino Chardonnay, 2017.

O bacalhau é um dos poucos pratos que harmoniza bem tanto com branco, como com tinto, contudo, o vinho branco não pode ser leve e fresco demais, mas deve ter certo peso, senão desaparece frente a intensidade do bacalhau.

Por isso que o branco indicado é o produzido com a uva chardonnay, que resulta em vinhos brancos encorpados e opulentos, daqueles que parecem pedir para serem “mastigados” e que não se anulam ao se encontrarem com o bacalhau; antes, o complementa e se equilibra, sobretudo se passaram por certo tempo em madeira, como foi o caso do Cobos Felino, que madureceu por oito meses em barris de carvalho, o que dá ao vinho a sensação de oleosidade na boca, combinando perfeitamente com a untuosidade do bacalhau.

O Cobos Felino apresentou notas florais e cítricas, com aromas de maça e lichia.  Na boca sua oleosidade o tornou persistente, com acidez equilibrada e notas amanteigadas e de mel.

O Felino Chardonnay pertence à linha de entrada da Vinícola Cobos, que é composta por outros vinhos, como o Felino Malbec e o Felino Cabernet Sauvignon.

A origem dessa vinícola está associada ao enólogo americano Paul Hobbs que chegou na Argentina em 1989  e percebeu que o terroir de Mendonza era ideal para a produção da malbec. Foi ele quem tornou a malbec internacional. Mas a Cobos não produz somente malbecs, como também outros vinhos tintos e brancos, com a mesma qualidade dos vinhos malbecs que deram fama mundial à vinícola, vinhos caros e de alta qualidade

Linha de entrada significa que são vinhos de uma categoria mais simples e naturalmente mais baratos, produzidos, porém, produzidos com o mesmo esmero dos vinhos tops, afinal, a vinícola e o enólogo não iriam assinar um vinho de baixa reputação.

Uma vez assistindo uma entrevista de Ciro Lilla, dono da Mistral, a maior importadora de vinhos do Brasil, ouvi dele que quando não tivermos dinheiro para comprar um vinho top ou não estivermos dispostos a pagar caro por ele, devemos comprar os vinhos de entrada de vinícolas renomadas, pois a marca vai garantir a qualidade.

Em 2017, quando fui a Mendonça, visitei a Vinícola Cobos, onde participei de uma degustação e conheci o Felino Chardonnay, que, agora, tive a oportunidade de degustar novamente e comprovar sua qualidade.