Como fazemos todos os meses, o “Clube do Vinho” se reuniu para mais uma degustação compartilhada.

Dessa vez estávamos em 6 (além de mim, Moreira, Júlio Crepaldi, Marcos Moreira, Sérgio Vanderlei e Binho Matsuka), por isso escolhi três garrafas, com a proposta de que fossem de corpo médio. Por fim incluímos mais uma para encerrar a noite, bem encorpada.

O encontro foi no Cartola Grill, que prepara excelente churrasco, e, na ocasião, para maridar com os vinhos, degustamos uma picanha à gaúcha e um assado de tiras, todos suculentos, perfeitos para acompanhar os vinhos.

Abrimos a noite com um vinho da uva Garnacha (Grenache, na França), que costuma produzir vinhos frutados, vibrantes, de médio corpo. O vinho escolhido foi o LAS MARTAS, espanhol, safra 2014, que amadureceu 12 meses em carvalho. O vinho apresentou-se com taninos suaves, aromas de frutas vermelhas, agradável e embora sua graduação alcóolica fosse de 15 graus, revelou notas doces no início e certo amargor no final de boca, muito bom para harmonizar com carnes grelhadas. É sempre recomendável sair, à vezes,  dos vinhos triviais para experimentar uvas menos conhecidas, como é a Garnacha.

O segundo vinho foi um chileno, da renomada Vinícola Santa Rita, da uva Carménere, o MEDALLA REAL, gran reserva, safra 2012, com passagem de 12 meses por barricas de carvalho francês e 14% de álcool. Esse vinho é um representante expressivo da uva Carménère, a uva típica do Chile, muito equilibrado, com taninos domados e boa acidez. Apresentou o aroma típico da uva Carménére, que são notas picantes, acrescido de notas de chocolate e café. Um vinho de grande complexidade. Se você gosta de churrasco experimente harmonizar com um bom tinto de carménère. Você certamente irá se surpreender. É um vinho de corpo leve para médio, fresco, seco, que limpa a gordura da carne. O Medalla Real é um ótimo exemplar a preço razoável.

O terceiro vinho foi um exemplar da uva Cabernet Franc, uma das minhas castas preferidas. A Cabernet Franc produz vinhos de corpo médio, frutados, ricos e suculentos e é uma das uvas que compõe o corte bordalês.

Escolhi um vinho de boutique (baixa produção) nacional, o ENOS, Gran Reserva,  com  teor alcóolico de 13,8%, maturado por 12 meses em barricas de carvalho (70% americano e 30% francês). A maturação em barris de carvalho deixa o vinho mais macio, com aromas de baunilha e prepara o vinho para a guarda por vários períodos, no caso, era safra 2012 e estava no ponto para degustar. No nariz revelou  notas de amoras, junto a notas de eucalipto/mentol, pimenta verde e um toque de tabaco. Um bom exemplar de Cabernet Franc, embora eu já tenha provado exemplares mais complexos originários da Argentina, onde a casta está em alta.

No final resolvemos degustar mais um exemplar e a opção foi um vinho encorpado, potente, um uruguaio da uva Tannat, da Vinícola Garzón, uma das maiores daquele país.

No final o melhor vinho da noite foi o Carménère, Medalla Real, embora não por unanimidade, pois o Garnacha também recebeu votos, assim como o Cabernet Franc.