Representantes de associação de municípios centro-americanos, da UniFAI, da União Europeia e da Prefeitura de Adamantina assinaram nesta quinta-feira, 29, convênio para execução de projeto ligado ao programa Euroclima+ (Foto: Natacha Dominato)

A cerimônia de lançamento de um projeto ligado ao Programa Euroclima+ firmou convênio de cooperação na tarde desta quinta-feira, 29, no auditório Miguel Reale, Câmpus II do Centro Universitário de Adamantina (UniFAI) com as presenças de representantes da União Europeia, das Embaixadas de El Salvador, Honduras e Guatemala, e autoridades locais e regionais.

O projeto elaborado pelo consórcio liderado pela Associação Fronteiriça Trinacional Rio Lempa (Mancomunidade Trinacional Fronteriza Río Lempa) – composta por 25 governos locais de El Salvador, Guatemala e Honduras, localizados em uma região de fronteira conhecida como Trifínio Centro-americano – em parceria com a UniFAI, a Prefeitura de Adamantina e o Centro Universitário de Oriente da Universidad San Carlos, na Guatemala, faz parte de um programa de cooperação regional entre a União Europeia (UE) e a América Latina com foco na produção resiliente de alimentos frente à mudança climática.

Intitulado “Políticas locais e mecanismos de articulação e implementação de alianças público-privadas para a produção resiliente de alimentos, nas cadeias de valor agroalimentar em El Trifinio Centroamericano e em Adamantina”, o projeto apresentado e aprovado terá duração de 02 (dois) anos. Sua ação técnica abrange 500 produtores da categoria Agricultura Familiar dos quatro países componentes do grupo.

A representante da delegação da UE, assessora do setor de Cooperação, Cristina Carvalho, detalhou o investimento de € 1,5 milhão no projeto, ou seja, cerca de R$ 6,73 milhões em valores atuais, sendo que a cota da UniFAI e da Prefeitura corresponde a € 204 mil recebidos da UE e € 70 mil serão contrapartidas oferecidas com trabalhos de coordenação, pesquisa e gestão administrativa, totalizando o investimento de R$ 274 mil.

“A União Europeia tem dedicado, no período de 2013 a 2020, 20% do seu orçamento para mudanças climáticas. O Euroclima+ é um programa regional que abarca 18 países e tem um aporte total de € 80 milhões para a região. A partir deste ano e do próximo, teremos um aumento de 44 milhões no programa, que é um programa muito importante para a América Latina porque ajuda aos países a implementarem seus compromissos no Acordo de Paris e para mitigar a adaptação de mudanças climáticas para diminuição das emissões. Então esse é o grande legado e o objetivo da União Europeia nesse programa”, afirmou Cristina.

Projeto

Na América Latina, 54 propostas de 18 países foram apresentadas ao Euroclima e somente 15 foram pré-selecionadas, dentre elas a elaborada em parceria com a UniFAI. “Esse projeto foi uma conquista muito importante, pois foi o único que o Brasil concorreu e foi aprovado junto à União Europeia”, avaliou o prefeito de Adamantina, Márcio Cardim.

“Esses recursos que vêm para aportar o projeto são muito importantes. A Prefeitura vai desenvolver um composto orgânico de poda de árvores juntamente com restos de comida que iriam para o aterro sanitário. Vamos coletar esses resíduos em escolas e restaurantes e fazer a compostagem. A UniFAI entra com a parte de aceleramento desse composto com a expertise dos pesquisadores. Vamos, assim, distribuir esse material para os agricultores, que serão cadastrados num banco de dados e irão receber acompanhamento. Vamos fazer análise desse solo. A intenção é que seja um adubo que venha substituir o químico. Ao deixar de comprar o adubo químico, estaremos economizando energia. O produtor tem que ficar satisfeito com essa aplicação. Existe uma pesquisa importante, por isso a UniFAI está envolvida no projeto e daí sim estaremos produzindo um alimento resiliente frente às mudanças climáticas”, acrescentou o chefe do Executivo local.

A aprovação da proposta vem somar à internacionalização da UniFAI. “Do ponto de vista da pesquisa, já estamos internacionalizados, uma vez que foi a junção dos três países Honduras, Guatemala, El Salvador mais o Brasil, com a cidade de Adamantina. Elaboramos o projeto que foi aprovado no Euroclima da União Europeia. Será desenvolvido parte dele no Brasil junto à compostagem e também a análise de solo. Ganharemos um laboratório por meio de verba desse projeto, onde nossos alunos irão trabalhar e prestaremos assistência aos pequenos produtores rurais. Futuramente haverá implantação do projeto nos países conveniados. Eles [países conveniados] querem criar uma instituição como a UniFAI na América Central. Então iremos auxiliá-los nesse sentido”, apontou.

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UniFAI, Prof. Dr. José Aparecido dos Santos, explicou a constituição do projeto: “É voltado à segurança alimentar e também à questão das mudanças climáticas. O Brasil tem alguns compromissos frente à humanidade de diminuir a emissão de gases de efeito estufa e este processo passa por algumas práticas que têm que ser começadas a levar adiante, como a recomposição da cobertura vegetal, a recuperação dos solos, de nascentes, fazer com que, no caso desse programa da agricultura resiliente frente às mudanças climáticas, passamos a ter boas práticas agrícolas que venham a preservar o meio ambiente e mitigar ações que potencializam as mudanças climáticas”.

Modelos para desenvolvimento na América Central

Gerente da Comunidade Trinacional Fronteiriça Rio Lempa, Héctor Aguirre enfatizou os objetivos das ações do projeto e mencionou a necessidade de implantação desse modelo de produção na América Central.

“A realidade de vocês [no Brasil] é muito diferente da nossa [América Central]. Vocês têm superado muitos problemas que nós ainda enfrentamos. Por exemplo, nós ainda temos problemas de segurança alimentar. Em nossa região ainda temos crianças menores de cinco anos que estão morrendo por fome. Vocês já não têm esse nível de problema porque já superaram essa condição de pobreza. Além disso, vocês têm aqui modelos produtivos articulados com o mercado e com a Prefeitura, que compra os produtos do pequeno produtor e coloca na merenda escolar. Então, o produtor tem a certeza de venda dos seus produtos, tem quem compra e ele tem como viver dignamente. Poderemos replicar esses modelos [na América Central] e, de alguma forma, ir aprendendo esses caminhos da agricultura familiar e da segurança alimentar”, explicou.

“Acredito que, ao longo de um ano e meio, no máximo dois anos, vamos poder colher bons resultados à sociedade de Adamantina e à sociedade da América Central”, completou Héctor Aguirre.  

Para o prefeito do município guatemalteca de Esquipulas e presidente da Comunidade Trinacional Fronteiriça Rio Lempa, Carlos José Lapola Rodríguez, a parceria deve levar desenvolvimento e melhoria do bem-estar tanto dos pequenos agricultores quanto da camada mais carente da população dos municípios centro-americanos envolvidos no projeto. “É um projeto que vem em benefício dos produtores. Tivemos a oportunidade de conhecer as propriedades demonstrativas onde eles [pequenos agricultores] semeiam o produto e levam a comercializá-lo junto ao governo municipal. Isso seria um benefício para a nossa gente”, disse Carlos José Lapola Rodríguez, prefeito do município guatemalteca de Esquipulas e presidente da Comunidade Trinacional Fronteiriça Rio Lempa.

Por Priscila Caldeira e Daniel Torres

Colaborou: Natacha Dominato