Ambientado na década considerada dos hippies, Rafael é um típico adolescente dos anos 60, vivendo entre a realidade e o sonho de se tornar cantor. Considerado uma década propícia para desvendar e desbravar o mundo, vive com seu violão debaixo do braço.
Transpondo a transição pós-adolescência, Rafael se vê envolvido por um sentimento intenso pela jovem Irene. Que mesmo de namoro com Fábio, não deixa de sentir uma certa atração e admiração por Rafael. Nos intervalos das aulas estão sempre juntos com a turma da classe. Como de praxe, o dedilhar do violão sempre dá o tom da conversa.
Vivendo uma paixão platônica por Irene, que o tem apenas como amigo e confidente, sempre que é solicitado para cantar uma música romântica, começa a dedilhar a canção “O ritmo da chuva”, (Demétrius).
“Olho para a chuva que não quer cessar. Nela vejo o meu amor. Esta chuva ingrata que não vai parar. Pra aliviar a minha dor…”
O tempo passou e deixou na memória as lembranças e saudades de uma década de sonhos. Cada um seguiu naturalmente seu caminho com relação aos estudos e trabalho. Apesar de terem se desvencilhados, boa parte da turma continua se encontrando. Agora pelos points da cidade.
Entre essa turma, Rafael com seu inseparável violão a dedilhar canções que giram em torno da dificuldade de se superar uma paixão. Vez ou outra, confessa que tem se encontrado casualmente com Irene. Mas assume uma certa frustração por constatar que o amor que sente por ela não ter sido recíproco.
Apesar de ter a certeza de que a superação ainda não foi alcançada por completo, Rafael ainda suscita a esperança remota de ter Irene em sua vida. Diante do relato, alguém deixa escapar: Você está sabendo que Irene está de casamento marcado? Surpreso, como que admitindo a derrota, prefere ficar calado.
Preso entre o passado e o desejo de seguir em frente, devido a um desnível social que existe entre ambos, se vê impedido de tentar uma aproximação em busca de um relacionamento profícuo e um futuro promissor. Apesar das incertezas e recaídas, Rafael admite viver um luto amoroso.
Diante dos ponteiros acelerados do relógio do tempo, o dia do casamento de Irene chegou. Sentado em um dos bancos da praça da igreja em que seria realizado o casamento, Rafael e seu inseparável violão, como que por extinto, se levantou e se dirigiu até a entrada da igreja.
Vendo os noivos diante do altar, Rafael não teve dúvidas. Numa última oportunidade de declarar o seu amor por Irene, dedilhou em alto e bom som a canção “Detalhes”, (Roberto Carlos).
“Não adianta nem tentar me esquecer. Durante muito tempo em sua vida eu vou viver. Detalhes tão pequenos de nós dois. São coisas muito grande para se esquecer. E à toda hora vão estar presentes. Você vai ver…”
Num olhar como que sincronizados, padrinhos, convidados e os noivos, voltaram surpresos seus olhares para a entrada da igreja. Como que passando um flashback pela cabeça de Irene, esta não resistiu e saiu correndo em direção à porta.
Emocionados, Rafael e Irene se abraçaram felizes. Na companhia do seu velho e inseparável violão, saíram rumo ao desconhecido.







