A política do toma lá, dá cá…

Confira o conteúdo assinado administrador de empresas Carlos Roberto Ticiano

A guerra propriamente dita, tem a sua origem nos interesses em que um país tem com relação ao outro. Como se costuma mencionar “a grama do vizinho é sempre mais verde”, há uma preocupação camuflada de se frear as ambições do país opositor.

No caso deste ambíguo amoroso entre a China e os Estados Unidos, apesar do domínio chinês em terras raras, é visível que ambos dependem da utilização dos semicondutores produzidos por Taiwan na elaboração dos chips. Diante deste aparente cenário catastrófico, há uma intenção explícita de se tentar podar as asinhas do adversário. 

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Estima-se que Taiwan importe grande parte dos minerais e terras raras, processadas principalmente em território chinês, essenciais na produção de microchips. A empresa Taiwan Semiconductor Manufacturing Company Limited (TSMC), lidera o fornecimento de semicondutores destinados a elaboração de celulares, jatos eletrônicos, computadores, veículos elétricos, cartões bancários, eletrodomésticos, iphones, até sistemas de inteligência artificial.

Esses minúsculos wafers de silício (chips), apesar de terem sidos inventados nos Estados Unidos, atualmente os modelos mais avançados estão sendo produzidos em grau elevado na Ásia. Para reduzir essa dependência asiática, os americanos têm investidos bilhões em subsídios para conseguir atrair essas fábricas. A TSMC está construindo um grande complexo em Phoenix, no Arizona.

Investindo fortemente na indústria de semicondutores na década de 70, Taiwan se tornou especificamente uma referência global na fabricação de chips avançados. Fornecendo componentes para as sete gigantes americanas (Sete Magníficas), tidas como líderes globais em tecnologia e inteligência artificial.

Essas empresas como Nvidia, Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta, Apple, Tesla, possuem projetos próprios (fabless) mas contam com a escala e liderança tecnológica da TSMC, para converter esses projetos em chips reais. Uma eventual interrupção na produção desses semicondutores de última geração, teria impacto direto na economia mundial.

O conflito entre a China e os Estados Unidos do ponto da geopolítica, se define como sendo uma rivalidade estratégica pelo domínio da nova ordem global. Enquanto a China expande seu poder econômico, militar e tecnológico, os Estados Unidos tentam preservar a hegemonia que detêm há mais de um século. Como principal aliado de Taiwan, os Estados Unidos mantêm regularmente o fornecimento de armas e assistência militar, no sentido de modernizar as forças taiwanesas.   

Apenas 12 países reconhecem Taiwan como uma nação democrática, soberana e independente.  Considerada pelo governo chinês como uma província rebelde, a Ilha Formosa, como é conhecida Taiwan historicamente, ainda não foi atacada pela China. A principal ilha de Taiwan, está localizada a aproximadamente 180 km a leste, da costa sudeste, da China continental.

Essa concentração em torno de 90% na produção dos semicondutores mais sofisticados do mundo, faz com que múltiplos países passem a depender de um único fornecedor. Devido a esta dependência global, Taiwan se transformou num alvo a ser atingido pela China, e ao mesmo tempo, em uma questão de segurança para os Estados Unidos.

Diferenças à parte, a diplomacia chinesa de uma forma visivelmente intencional, ao diferenciar a altura das poltronas diante de uma visita oficial, projeta autoridade, poder e soberania do anfitrião.   Ao assentar Xi Jinping em um assento mais alto e Donald Trump em um assento mais baixo, a China demonstra que está no controle da situação.

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