Com
orçamento maior do que boa parte das cidades da Alta Paulista, a UniFAI é a “menina dos olhos” de Adamantina.
Instituição acadêmica referência para centenas de alunos, principalmente
oriundos de municípios próximos, completa dois anos com a gestão de Paulo
Sérgio da Silva – o primeiro reitor do Centro Universitário que assumiu em 1º
de julho de 2017.
Até
2021 a missão é dar continuidade aos projetos que alavancaram nos últimos anos
o nome da instituição, tanto no contexto regional como nacionalmente. Em meio
aos desafios acadêmicos e do mercado, o reitor tem ainda que lidar com as
questões políticas que envolvem uma autarquia municipal, desde o relacionamento
com o Executivo até nas cobranças e fiscalização por parte dos vereadores.
“Acho natural a preocupação do Executivo e do Legislativo com uma instituição
pública, como a nossa. E toda essa relação tem caminhado bem. Todos os projetos
que enviamos para a Prefeitura e encaminhados para a Câmara foram aprovados”.
E,
na metade do mandato, o reitor faz balanço positivo. Segundo dados divulgados
pela UniFAI, dos 66 pontos do plano de gestão apresentado quando da eleição de
Paulo Sérgio, em 2017, 70% já foram executados ou estão em execução. Outro
ponto destacado é a situação financeira. “Assumi a gestão com um saldo
financeiro de R$ 14 milhões e hoje estamos na casa dos R$ 30 milhões. Estamos
no caminho certo sem deixar de investir”.
Em
entrevista ao IMPACTO Paulo Sérgio pontua também a continuidade do trabalho,
enfatizando as contribuições de dois ex-diretores da então Faculdades
Adamantinenses Integradas – a FAI, Gilson Parisotto e Márcio Cardim (atual
prefeito de Adamantina).
“Faço
um balanço extremamente positivo. E, como sempre pontuo, em minha gestão tirei
do papel aquilo que estava em projeto. O professor Parisotto construiu a
UniFAI, foi uma grande referência. E o professor Cardim deu continuidade ao
trabalho e expandiu a autarquia municipal, principalmente por meio de um
divisor de águas: a conquista do curso de Medicina. E isso ninguém pode negar.
A partir deste momento, em que o ex-diretor construiu o curso de Medicina, se
tornou Conselheiro e transformou legalmente a FAI em Centro Universitário,
ficou sob minha responsabilidade dar continuidade a todos os projetos traçados.
Por isso que digo que tirei do papel a própria continuidade e viabilidade do
curso de Medicina, fazendo com que os convênios fossem honrados, por exemplo”.
O
reconhecimento do curso Medicina pode ser considerado o principal desafio do
atual reitor, que, segundo ele, “acontece naturalmente”. Com a mensalidade
girando em torno de R$ 8 mil/mensais, a graduação é sempre alvo de cobranças
por parte de alunos que buscam estrutura adequada e ensino de qualidade.
Porém,
a UniFAI não tem apenas o curso de Medicina. No site da instituição, no
portfólio de graduações, constam mais de 30 cursos, sendo que alguns não
tiveram abertura de novas turmas, mostrando o complexo trabalho do reitor para
atender todos os anseios. “Existe um rol de cursos que estudamos as demandas.
Não queremos desativar nenhum, mas adaptá-los, fazer com que estes cursos que
não vão bem por culpa do próprio mercado sejam transformados em tecnológico,
ocorrendo uma adaptação, dinamizando sem perder a área. Já iniciamos este
processo”, disse. “Também gostaria de ressaltar nosso curso de Direito, sendo
um dos principais da região. Fizemos parceria com a Associação dos Advogados e
agora com a Escola Superior do Ministério Público, trazendo diferenciais para
os alunos”.
CONTINUIDADE DO TRABALHO
Enfatizando
a continuidade do projeto desenvolvido pelos antigos diretores, Paulo Sérgio
diz que essa linha de gestão contribuirá para o futuro da UniFAI. “Em 1º de
julho de 2017 não havia nenhum convênio firmado com a Santa Casa de Adamantina.
Assinei, firmei também convênios com hospitais de Mirandópolis, Tupã e
Araçatuba. Fizemos com que o projeto do Centro Universitário saísse do papel.
Criei os cargos que estavam previstos em lei, a instituição começou a viver
ares de universidade, o clima universitário. O próprio Conselho Universitário
tem autonomia para criar cursos, e antes isso não existia. Os próprios alunos
têm uma ambientação universitária. Esse é o meu papel, dar essa continuidade às
questões projetadas pelo professor Márcio Cardim. Não vejo nenhum ruptura nas
gestões da UniFAI, vejo uma continuidade para a expansão”, disse. “Todo amanhã
depende do presente. No passado, o que era sonho, hoje se torna realidade, a
viabilização daquelas propostas. Ao mesmo tempo em que executam esses projetos,
já estamos projetando o amanhã”.
O
reitor também ressalta o trabalho desenvolvido e responsável pelo “futuro da autarquia
municipal”. “Nestes dois anos tivemos 12 bolsas de residências
multiprofissionais aprovadas; mais de 40 mil atendimentos/ano pelas clínicas de
saúde; criação do estúdio EaD [Ensino à Distância]; vários convênios firmados;
também tivemos o projeto EuroClima+ aprovado – financiamento pela União
Europeia de R$ 1 milhão em parceria com a Prefeitura, projeto que estudará a
resiliência dos alimentos –; Bloco V com a construção a todo vapor, espaço que
será referência para os cursos de saúde; conquista de quatro bolsas para
residência médica; criação de cursos de pós-graduação, como Esporte e Nutrição;
criamos outros cursos de graduação e tecnológicos; aumentamos o número de
bolsas PIBIC/CNPQ; criamos a Empresa Jr; colocamos em prática a estrutura do Centro
Universitário reconhecendo mais de 10 cursos; assinamos com a Biblioteca
Virtual – um dos maiores acervos do mundo; padronizamos as salas de aula
comprando mais de 500 cadeiras estofadas; compramos mesas 3D para o ensino
tecnológico, um ensino virtualizado; compramos vários sofás para dar uma
ambientação melhor aos alunos, atendendo pedido dos próprios; estamos comprando
totem para carregar celular, para o aluno ficar acomodado no momento do
intervalo; aumentamos a capacidade da rede de Wi-Fi para atender melhor as
demandas dos alunos e professores; nossa gestão também treinou os docentes na
plataforma Google Education; fizemos o primeiro Congresso de Medicina; criamos
o Ambulatório de Especialidades Médicas; adquirimos a Unidade Móvel de Saúde,
que realiza atendimento nas escolas; renovamos a nossa frota de veículos;
reforma elétrica do Campus III para adequações na FisioClínica, que realiza
mais de 18 mil atendimentos/ano; reformamos as salas de aula do Campus I;
concursos para o preenchimento de vagas; a reforma das UTIs [Unidades de
Terapia Intensiva] da Santa Casa, que envolve mais de R$ 1 milhão, e a
aquisição dos equipamentos licitado em torno de R$ 3,5 milhões – modernização
fundamental para a projeção do internato; criação dos preceptores, importante
para o curso, pois são estes profissionais que vão ensinar no internato. Tudo
fruto de um trabalho coletivo. Elevamos nosso orçamento e, ao mesmo tempo,
investimos. E não vamos parar por aí. Não é apenas uma conquista da UniFAI, é
uma conquista coletiva, dos funcionários, professores, alunos, Executivo,
Legislativo, Judiciário, a cidade contribui para termos essa avaliação
positiva”.
O
projeto do EuroClima+ também possibilitará a internacionalização da pesquisa na
UniFAI, outra proposta que o reitor coloca em prática. “Dois pontos essenciais
que ainda não foram concretizados, e que quero tirar do papel, são a praça de
alimentação da UniFAI [Restaurante Universitário] e os cursos de mestrado”,
pontua. “O projeto é este, e não tem como ser diferente, embora alguns pensem
que sim. Mas é um projeto que vem de uma continuidade”.
Para
os próximos dois anos Paulo Sérgio elenca suas prioridades. “Primeiro concluir
estes pontos que citei. Além da criação de novos cursos, pois o mercado é
dinâmico, tem alguns cursos que possui pouca demanda e outros que podemos
oferecer. Queremos que Adamantina se torne um polo de saúde e também
tecnológico, em parceria com a Fatec”.
Em
relação aos cursos sem demanda e a captação de novos alunos, o reitor também
enfatiza os projetos em desenvolvimento. “Estamos entrando no projeto Educa SP,
em que os alunos do ensino médio vão fazer cursos na UniFAI com o monitoramento
dos estudantes da autarquia municipal. São 50 bolsas, um incentivo aos nossos
alunos. Mesmo em um momento de crise de bolsas que o país atravessa, estamos
conseguindo disponibilizar incentivos aos nossos alunos. Também temos estudado,
junto com a Associação dos Pais de Alunos do Curso de Medicina, da própria
instituição fornecer algumas bolsas, disponibilizadas para todos os cursos. E
isso faz parte do futuro, dar condições para nossos alunos estudarem”.
Paulo
Sérgio finaliza agradecendo a contribuição dos colaboradores da UniFAI para
colocar em prática seu plano de gestão. “Ressalto o trabalho desenvolvido por
nossos funcionários. São verdadeiros guerreiros que vestem a camisa da
instituição”.