Amado
por uns, não tão bem visto por outros. Em meio a polêmicas, Carlos Ananias
Junior completa dois anos e meio a frente da Prefeitura de Lucélia destacando
avanços. Em entrevista ao IMPACTO, o gestor não foge das questões
controvérsias, a não ser uma possível reeleição, decisão que deve tomar apenas
no próximo ano.
IMPACTO – Qual balanço faz destes dois anos e meio a
frente da Administração Municipal?
Carlos Junior – A palavra é consertar. Não existe
significado melhor para expressar o trabalho desde dois anos e meio. Consertar
Lucélia que estava toda quebrada, por exemplo, de 100% das ruas que estavam com
problemas estruturais, pelo menos 80% foram recapeadas ou receberam operação
tapa-buracos.
Quando
entrei minha prioridade era infraestrutura, educação e saúde. Sabemos que são
problemas que todos os municípios enfrentam, são difíceis de resolver no atual
panorama do país. Porém, em Lucélia tivemos muitos avanços. Retomamos a fábrica
de recapeamento, a mini usina, então se compra o material e o próprio
funcionário realiza o tapa-buraco, tendo custo baixo para Prefeitura. Recebemos
mais de R$ 2 milhões em emendas para recapeamento.
Tive
muita ajuda dos deputados, graças a Deus, pois sou um prefeito totalmente
apartidário, abri a Prefeitura para todos os parlamentares. Se pensasse apenas
nos deputados do meu partido, os recursos seriam limitados.
Na
área da Saúde, conquistamos 10 novos veículos, como ônibus, vans e
micro-ônibus. Outro destaque são as emendas conquistadas para custeio de
medicação. A Santa Casa, que devia R$ 10 milhões, gastamos R$ 6 milhões lá
dentro. Na Educação, Lucélia foi referência no IDEB [Índice
de Desenvolvimento da Educação Básica] na região.
Estamos
abrindo os braços para o esporte. Não estou preocupado com o esporte lá fora,
mas, sim, dentro da minha cidade, que tira a criança de situações de risco.
Sempre pensei na igualdade, na justiça, e isso é um diferencial.
Conseguimos
fazer muita coisa, porém o tempo passa muito rápido. Temos que ter uma visão
panorâmica, da gestante ao idoso, de todos os setores da cidade. Não
centralizo, falo o que quero para cada setor que gere o melhor naquela área para
população. Então não tivemos dificuldades.
IMPACTO – Sobre gestão descentralizada, como avalia sua
equipe de comissionados?
Carlos Ananias – Na administração não centralizo tudo
em mim. Muitos cargos mantive da ex-gestão, pois não vivo de politicagem.
Independente do partido, vejo o profissional, o serviço prestado a comunidade.
Não persegui nenhum funcionário. Acreditei na experiência aliada a juventude.
Lucélia
elegeu um prefeito homossexual, de 37 anos, então porque não acreditar nas
pessoas jovens? Por exemplo, minha secretária de Educação, que estudou comigo
no ensino fundamental, uma pessoa humilde, que sofreu muito preconceito. E
quando a vi dando aula, superando todos os desafios, percebi o potencial para
gerenciar o setor da educação.
Na
Assistência coloquei uma pessoa de família humilde. No Meio Ambiente, dei
também oportunidade. Fui muito feliz nos cargos de confiança, acreditei nas
pessoas, tive receio de não dar certo, mas sempre acredito que todos são
capazes.
Agora,
abrangendo os funcionários, os cerca de 700 servidores tiveram aumentos nos
vales-alimentação e no 14º salário. Sempre primei pela humanização.
IMPACTO – Além de problemas com buracos em ruas,
Lucélia sofria com muitas obras paradas. Qual a situação atual, conseguiu
resolver estas questões?
Carlos Ananias – Estou muito feliz com a minha
gestão. Obras paradas há anos foram entregues, como creche, piscina pública,
centro comunitário do Jardim das Flores, Centro Odontológico, entre outras. As
casas populares da vila Rennó também devem ser concluídas até o final da minha
administração.
Também
foram entregues a população as quadras da escola Carlos Bueno e de futebol
sintético. Conquistamos as reformas das praças da Igreja Matriz e José Firpo,
além de recursos para o estádio municipal e para rodoviária.
IMPACTO – Recentemente houve uma polêmica envolvendo a
Administração Municipal com o Movimento ‘Eu Amo Lucélia’. Qual seu
posicionamento sobre a situação?
Carlos Ananias – Para amar Lucélia, tem que nascer
em Lucélia. Não consigo amar São Paulo, que morei lá. Gosto daquela cidade, mas
não posso dizer que amo. Além disso, tem que conhecer as dificuldades, da
periferia ao centro. Ter uma visão panorâmica, para saber se ama ou não.
Abri
a Prefeitura para ‘Eu Amo Lucélia’. Não podemos ser egoístas, temos que
dividir, para que cada um possa dar a sua contribuição. Sou homem de somar, não
de subtrair.
E
neste tempo fizeram um grande feito para a cidade, o ponta pé inicial para o
revitalização da praça José Firpo. Organizaram diversas ações, que sempre
apoiei. Tenho muito carinho pelo ‘Eu Amo Lucélia’.
Abracei
grupo e conquistamos R$ 1 milhão para praça. E, em seguida surgiu a
possibilidade deles administrarem a Santa Casa.
Passamos
R$ 180 mil, por mês, e quando precisassem de mais, repassaríamos de acordo com
as disponibilidades da Prefeitura e a legislação. Acreditei e acredito no
grupo. Mas, na verdade, o que aconteceu, não mandei ninguém embora. Em nenhum
momento me neguei em passar subvenção e ajudar. Em dois anos passei R$ 6
milhões.
Ajudei
muito, tenho muito apreço e a Prefeitura continua aberta para eles colaborarem.
Outro
exemplo de aliança da sociedade civil com o poder público é a Avapoc
[Associação de Voluntários de Apoio aos Portadores de Câncer de Lucélia],
que realiza importante trabalho em prol da comunidade local.
IMPACTO – Lucélia terá carnaval em 2020?
Carlos Ananias – Hoje é muito difícil, mas vamos
tentar. Como disse, a palavra é consertar e também retomar. Antes, era muito
mais fácil organizar a festa, se fazia um evento com R$ 90 mil. Hoje o custo é
de R$ 700 mil.
Claro
que é um grande feito, mas as responsabilidades são maiores. Por isso trouxemos
o rodeio, para resgatar o lazer, o brilho no olhar da população. Vamos tentar
fazer o carnaval. Não posso dizer que vou fazer, mas vou tentar.
IMPACTO – Como é a relação entre os poderes Executivo e
Legislativo?
Carlos Ananias – Somos parceiros, um depende do
outro. Existe a politicagem, os partidos e as indiferenças. Mas defino que o
relacionamento é muito bom, tento agregar e respeitar. A palavra é
apartidarismo, que faz a diferença, com o mesmo objetivo que é o bem comum.
Claro tem alguns com indiferença maior, mas quero agregar todos.
IMPACTO – Como avalia o desafio de ser prefeito de
Lucélia? Buscará a reeleição?
Carlos Ananias – Temos que consertar as coisas, não
sei se tem uma reeleição ou não, já dei minha base de contribuição para
Lucélia. Tenho meu emprego em São Paulo, meu apartamento, quis voltar para a
cidade – mérito do meu pai – para ajudar.
Se nem Jesus Cristo agradou todo mundo, eu também não quero agradar. Sou
limitado como todas as pessoas, mas sempre temos que apoiar a maioria, ajudar o
mais humilde.
Acredito
que quem deve sentar nesta cadeira são as pessoas polêmicas, que passaram por
dificuldades, como preconceito. As pessoas que passam pela indiferença tem mais
compaixão pelo outro, brigar pela Justiça.
E
o futuro prefeito tem que parar com essa atitude de parar o trabalho que estava
sendo desenvolvido apenas porque é oposição. Vamos dar continuidade, essa
população não tem culpa, ela que paga nossos salários.
Mas,
voltando, penso que dei minha contribuição para o povo, vim para dar minha
contribuição para aqueles que sofrem tanto. Sobre a reeleição, hoje entrego
para a Deus. Tenho meus planos, mas preciso me fechar, guardar e entregar para
Deus. A população quer, mas não sei, deixa as coisas aconteceram.